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POLÍTICA ENERGÉTICA

Entende-se que numa Situação Sustentável a economia seria obrigatoriamente Verde. No ambiente global entende-se também, que Economia Verde e eliminação da dependência dos combustíveis fósseis são “sinônimos” para uma mesma meta. E entende-se ainda, que a mitigação dos riscos climáticos é uma meta por natureza global. Assim sendo o mesmo se aplica à meta da Economia Verde e a seu sinônimo da redução drástica do consumo de combustíveis fósseis.
Em grande parte os recursos tecnológicos e financeiros para uma Política Energética Verde existem. Pode-se afirmar, que a indústria dos transportes ainda resiste à passagem aos acionamentos híbridos e elétricos para veículos com peso reduzido. Espera-se também por uma forte evolução na tecnologia dos biocombustíveis. Existem grandes espaços para a redução do consumo, tanto na área predial como no aumento da eficiência energética, ou seja na redução do insumo de energia por unidade de produção. Estes efeitos seriam produzidos de forma “difusa” na sociedade e com tanto maior volume e prontidão quanto melhor forem incentivados por iniciativas governamentais de incentivos fiscais e de financiamentos, além de normatizações.
Com esta reestruturação as sociedades desenvolvidas conseguiriam manter a ocupação, talvez elevar o PIB, com simultânea redução do consumo de energia. São noticiados potenciais de redução de consumo entre 20 e 40% nas sociedades desenvolvidas, com correspondente redução da queima de carvão, gás e petróleo. Desta forma acelerariam a participação das energias limpas nas suas matrizes energéticas na medida em que investem na geração eólica e solar, além da geração com bio-massa. Nesta abordagem resumida não se descarta a aplicação de geração nuclear, mas a reserva para casos excepcionais.
Sem margem de dúvida a grande surpresa no contexto da geração de energia é o desenvolvimento alcançado no aproveitamento da energia dos ventos. As potências unitárias e as eficiências aumentaram a ponto de possibilitar a execução de grandes projetos com preços da energia comparável com a energia produzida com carvão e gás natural. Adicionalmente, o preço é previsível, porque independe dos preços de commodities e do câmbio, o prazo de implantação é curto - de um ano -, fator importante para a rentabilidade dos investimentos, e a geração não compete com o uso da terra e da água. Importante também é que não causa interferências em florestas. Além das vantagens econômicas e ambientais ainda cria ocupação local. Na Dinamarca, que liderou o desenvolvimento tecnológico, 20% da energia consumida é de origem eólica tendo-se explorado não mais de 20% do potencial. Em dias com fortes ventos toda a energia consumida na Dinamarca é gerada por suas 5.000 turbinas. Lester Brown afirma, em Plan B3.0, que toda a energia consumida nos Estados Unidos poderia ser captada dos ventos, inclusive a que alimentaria os veículos com acionamento híbrido e elétrico.
As empresas européias fabricantes de turbinas eólicas estão instalando fábricas nos Estados Unidos para explorar este mercado. A reformulação da matriz energética exige também uma nova estrutura do sistema de transmissão e de distribuição, com grandes demandas de mão-de-obra.
Além de resolver o problema da poluição atmosférica a energia eólica, em conjunto com a energia solar, tornariam os Estados Unidos independentes da importação de petróleo. Todavia, no momento o líder no investimento em energia limpa é a China, tanto na energia eólica, como na energia solar e na energia nuclear, mesmo ainda aumentando a queima de carvão.
Na China já existiam mais de um milhão de empregos nos setores de energias renováveis, com acréscimos de 100.000 por ano. A China, confrontada com uma massa de população pobre e tendo um governo autoritário decidido de resgatar centenas de milhões de seus habitantes da pobreza, é benchmark no desenvolvimento econômico e social, mas também no desenvolvimento ambiental. A eficiência energética da economia chinesa tem feito surpreendentes progressos, embora partindo de uma base muito baixa. Pode-se afirmar que a China executa um Projeto para o Desenvolvimento Sustentável.
Observa-se que não existe o problema da transferência de tecnologia tão presente nos discursos. Como está o Brasil nesta cena? Não há dúvida a respeito de que no mínimo 20% da energia consumida poderia ser economizada, mas não existe ação do governo neste sentido. Esta economia corresponderia a cerca de 30% da potência instalada. Não haveria, portanto urgência na instalação de novas capacidades de geração, caso se incentivasse a redução do consumo. A indústria por razões de competitividade acompanhará os esforços internacionais de melhoria da eficiência energética. O mesmo pode ser previsto para a evolução dos transportes.
É quase inacreditável que não exista uma política de incentivo à geração térmica com bagaço de cana, tendo em vista que o potencial é avaliado em 14.000 MW, o sua exploração dispensaria linhas de transmissão extensas e o aumento da renda das usinas beneficiaria a competitividade do açúcar e do etanol, além de ser energia verde. Ainda mais absurda é a desatenção à exploração do potencial de energia eólica, estimado em 140.000 MW, mais que toda a potência instalada, principalmente no Nordeste, sabidamente carente de energia. O custo resultante do primeiro leilão está no nível praticado para pequenas centrais hidrelétricas, cairá com escala da produção nacional dos equipamentos e não precisará incorporar o da transmissão devido à proximidade aos consumidores.
A determinação do governo de instalar usinas hidrelétricas na Amazônia baseia numa percepção superada, que só se mantém devido à desatenção da sociedade. Não há como negar que a sua prática é mais prejudicial ao Meio Ambiente que a geração eólica e que não contribui para o desenvolvimento da indústria nacional. Uma quebra dos paradigmas de percepção e uma orientação pelos exemplos - benchmarks -, proporcionados por outras sociedades, deve ser possível também nas democracias.
Sem comentários »AINDA SOBRE ENERGIA EÓLICA
0. Também as usinas hidrelétricas não conseguem operar toda a capacidade instalada durante o ano todo devido à variação da vazão dos cursos d’água;
1. A geração eólica e a geração hidrelétrica são complementares: Venta mais quando as vazões hídricas são menores. Portanto, além de somar à oferta de energia as turbinas eólicas contribuirão para reduzir as variações de oferta;
2. O impacto ambiental deve ser o mais baixo de todas as fontes, ao lado da co-geração com bio-massa, como se pratica nas usinas de açúcar e álcool e nas indústrias de papel e celulose;
3. Nos Estados Unidos, como na China e na Alemanha já existem capacidades instaladas de energia eólica de 30.000 MW, que estão substituindo usinas a carvão;
4. Diante do potencial de 140.000 MW o status atual de energia de reserva deverá ser superado;
5. Não haverá disponibilidade fabril no exterior para suprir toda a demanda global por turbinas eólicas. Portanto a fabricação no Brasil é necessária, existindo mesmo uma margem para exportação;
6. Com a acumulação de experiência e uma maior escala os custos tenderão a baixar;
7. As instalações marítimas têm custo mais alto, mas também maior produção;
8. Incentivos à geração eólica produziriam renda - desenvolvimento econômico e social - justamente em regiões tradicionalmente mais pobres do Brasil - no Nordeste;
Sem comentários »ENERGIA - BOAS NOTÍCIAS
Notícia 1
Realizou-se o leilão de energia eólica resultando num comprometimento de R$ 19,5 bi de investimentos, pela iniciativa privada, em capacidade de geração. Instalar-se-ão também capacidades industriais de produção dos equipamentos e os sistemas de distribuição da energia gerada e de sua integração ao sistema elétrico. Mas a novidade mais auspiciosa é o preço da energia contratada - por leilão: R$ 131,00 a R$152,00 o MWh. Está no nível da energia paga para pequenas centrais hidrelétricas e para a geração com bio-massa, desfazendo a lenda - e a argumentação oficial - de que a energia eólica não é competitiva e prejudicaria a competitividade da indústria nacional. Os preços auferidos estão próximos aos preços nos Estados Unidos, noticiados entre US$ 50,00 e US$ 80,00. E com a indústria instalada, o efeito de aprendizado - e um esforço fiscal - os preços tenderão a diminuir. Vale lembrar que a energia eólica, além de renovável, não requer o corte de árvores nem de remoção de populações. Pelo contrário: Leva renda a regiões áridas no Nordeste. E dispensa o investimento em longas linhas de transmissão em extra-alta tensão, omitidas nas comparações de custo. Como há consenso sobre o potencial a ser explorado de 140.000 MW, maior que o total de potência instalada no país, fica evidente que a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia é dispensável para o desenvolvimento econômico e social.
Notícia 2
“O consumo de etanol cresce 20% e o de gasolina fica estagnado em 2009.” “Em São Paulo o etanol hidratado se consolidou como o principal combustível automotivo, com vendas quase 30% superiores à gasolina”. Bom para o Meio Ambiente, pois o CO2 do álcool é reciclado na cultura da cana. Bom para a balança comercial e de pagamentos, pois a gasolina deslocada induz a Petrobrás a produzir mais óleo diesel, economizando importação. Não sei porque o governo não estimula o álcool - e o açúcar - elevando a taxação da gasolina. O álcool via de regra já é competitivo; no Brasil o transporte veicular poderia ser “verde”, isto é, independente do petróleo. Sem esquecer que as usinas de açúcar e álcool, no processo de co-geração, também produzem energia elétrica. O potencial desta fonte é estimada em 14.000 MW, superior ao da usina de Itaipu. E dispensa longas linhas de transmissão pois as usinas estão situadas próximas aos centros de consumo. Além disso ajudam a acumular água nos reservatórios das usinas hidrelétricas. O aproveitamento deste potencial dispensaria a construção de quatro a cinco usinas do tipo das do rio Madeira.
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