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Arquivo da categoria ‘SUSTENTABILIDADE’

GASTAR OU ECONOMIZAR ?

Por Harald Hellmuth

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É curiosa e esta questão de economistas. Em geral os políticos pendem mais para os efeitos de
curto prazo dos gastos. Os economistas pouca atenção têm dado para as boas práticas administrativas, que valem também para os bancos.

O Geithner reclamar por maiores gastos corresponde a um interesse da economia americana e a um interesse um tanto perverso de seu ambiente financista. Os europeus embaraçados com as conseqüências de suas imprudências financeiras tentarem induzir os alemães a gastarem mais do que precisam é até patético. Ninguém considera que, tanto no Japão, como em partes da Europa, as necessidades de consumo já estão satisfeitas. E a verdade de endividamento para fim de consumo ser algo bastante
imprudente parece não passar na cabeça de economistas nem de comentadores jornalistas. A situação vigente na época de Keynes era diferente da atual, fato que até o Krugman parece desconsiderar. E, segundo o que entendi, Keynes defendeu a criação de trabalho e renda para superar a crise da depressão,
não o endividamento dos cidadãos para fins de consumo.

Qualquer tirada, por mais duvidoso que seja o conteúdo, ressoa como o cacarejo iniciado por um habitante de aviário, até que se entoe uma outra tirada. Mas até agora ninguém admitiu a hipótese que o exemplo de sensatez da Angela Merkel seja justamente o elemento de liderança que se reclamou dos alemães, que nada
confortável se sentem diante dessa expectativa. De qualquer forma eu duvido muito que o Sarkosy teria arriscado um programa de contenção de despesas sem o exemplo da Merkel. E esta afirmou que não se pode esperar de segundos o que não se pratica por conta própria. Argumentar que a eliminação do déficit
e a redução da dívida não sejam as medidas corretas para prevenir ações de piratas - especuladores financistas - é bastante duvidoso. Na verdade o Sarkosy, tão amigo de proposições espetaculosas, está bastante retraído. O pessoal em Londres gostaria de continuar ganhando na roleta financeira, que aparentemente
gera 30% ou mais do PIB britânico. Aliás: Será que não é este o real motivo dos britânicos não terem aderido ao Euro?

Li que as empresas alemãs têm capacidades de produção espalhadas por toda a Europa. Mas é evidente que não poderão produzir uma equiparação das regiões menos industrializadas da Europa ao nível desenvolvimento econômico da Alemanha, Holanda, Bélgica, Áustria, Escandinávia e parte da Itália. Certo é que o
Euro mais baixo favorecerá igualmente a todos os países da região pela maior facilidade de exportação da Europa e pela tendência de atrair um maior número de turistas. Como será justificado o argumento de que a “prosperidade por empréstimo” - artificial - causava curso do Euro artificialmente alto é tema para especilisatas.
Outra questão a espera de um melhor esclarecimeinto público é o financiamento da absorção pelo Banco Central Europeu de títulos “podres” da dívida dos países em crise fiscal em mãos dos bancos frenceses e alemães .

Agora as estatísticas de ocupação na Alemanha já estão melhorando. O cacarejo sobre um colapso da União Européia vai silenciar. É possível que Merkel sairá consagrada dessa crise, se ela não for antes vitimada por um incidente no ambiente político alemão.

Os americanos poderão melhorar o desempenho de sua economia atravás da transformação de sua matriz energética, começando pela redução da dependência do petróleo. Aparentemente, esta já era uma direção pelo a qual que o presidente Barack Obama queria enveredar e que talvez o incidente do mega-vazamento no
Golfo do México venha a facilitar. Neste caso, os eventuais gastos com subsídios representariam investimentos em estrutura com retorno no longo prazo. Os Estados Unidos precisam voltar a ter uma maior participação de produção própria na economia. O estímulo ao consumo com base em endividamento foi um erro protagonizado pelo governo Clinton, por interesses no prazo imediato. Os juros baixos facilitaram a manobra, o que não sirvam
de argumento de que tenham sido a causa.

Gastar ou economizar? A resposta é: “depende das circunstâncias e da região, por um lado, e da forma e dos objetivos, por outro lado”.

HH

Abraços e uma excelente semana a todos.

Anote na sua agenda, 23 e 24 de setembro, Club Transatlantico, Business Process Day 2010.

bdp 2010 - bdp 2010

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BSC – Sustentabilidade – Comunicação.

[Exemplo na Gestão de Condomínio]

Por Harald Hellmuth

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A tarefa de gestão de Condomínios é freqüentemente subestimada e, por outro lado, são conhecidas as desavenças que acontecem nas assembléias. É também habitual um baixo comparecimento dos Condôminos às assembléias, não obstante estas versarem sobre a administração de uma parte de seus patrimônios. Falta de conhecimento e falta de informação geram constrangimentos, quando não abrem suspeitas de beneficiamentos pessoais – verdadeiras ou falsas -, dificultando entendimentos num aparente ciclo vicioso. Poderia a utilização da metodologia BSC – Balanced Score Cards – ajudar a sanar tais observações pouco satisfatórias, especialmente para os gestores?

A metodologia do BSC remonta aos anos 1990 e foi desenvolvida para a gestão de empresas. Procurava-se um método para sincronizar as atenções / atividades de todas as partes das empresas sobre os objetivos da direção de curto e de mais longo prazo. Destacou-se o risco de focalizar somente objetivos financeiros de curto prazo. Os objetivos – ou metas / scores – foram desdobrados em quatro a serem alcançados simultaneamente: Financeiros, Marketing / Inovação, Processos Internos, Pessoal / Aprendizado. Segundo a metodologia as metas da direção nessas categorias são detalhadas para cada nível hierárquico, da forma que da realização das metas ao longo da estrutura resulta a realização das metas da organização. Estabelece-se uma sistematização da comunicação interna para a formulação e sobre o cumprimento de metas.

Num condomínio a estrutura da organização é a mais simples, pois não há mais do que um nível de gestão. Mas é bastante questionável se é generalizada uma consciência de metas. Certo é que sempre surgem novas necessidades e que existem interesses conflitantes, os quais precisam ser equilibrados, ou seja, “balanced”. A experiência de que a falta de uma visualização do conjunto dos objetivos e das necessidades dificulta sobremaneira os entendimentos levou à tentativa de “uma representação condensada numa folha”, como mostra o quadro reproduzido abaixo. O quadro está organizado segundo os critérios BSC.

Esta folha demonstra que o Síndico tem “um mapa de vôo” com objetivos que os Condôminos, preponderantemente não versados em administração, desconheciam em seu conjunto e interrelações. Espera-se que o quadro ajudará na integração de novos Conselheiros nas atividades e planejamentos atuais e a focalizar comunicações e discussões. Considera-se ser particularmente interessante observar no exemplo esboçado como os temas da Responsabilidade Social e da Responsabilidade Ambiental estão posicionados no esquema do BSC. Estão também evidenciadas assim como sendo do interesse dos Condôminos metas e atividades em geral atribuídas ao âmbito de RH. Acredita-se que uma gestão objetiva num ambiente harmonioso em virtude da consciência dos Condôminos de seus interesses, evidenciados nas metas, contribui para a valorização do patrimônio.

Numa empresa em que a metodologia BSC for conduzida com esmero, os colaboradores compreenderão o contexto em que suas atribuições estão inseridas. Então poderão desempenhar com Liberdade as Responsabilidades de realizar as respectivas Metas, procurando sugerir e executar melhorias e mesmo propor novas Metas. Trata-se de um processo de Comunicação Continuada.

BSC condom  niop - BSC condom  niop

Abraços

HH

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Sobre a Contribuição Necessária do Intelectual para a Sustentabilidade.

Por Harald Hellmuth

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Evidentemente, a abordagem de intelectuais por um cidadão não formado em humanidades parece ser uma ousadia tangenciando a temeridade, pelo conhecimento superficial que tem dos temas que perfazem a razão de existência dos intelectuais. Todavia, na vida de cada um ocorrem situações de decisão sob risco e a tentativa de expor uma percepção constitui um risco aceitável.

Assim como uma reflexão anterior 4, esta foi “facilitada” pela coletânea recém lançada de pronunciamentos e entrevistas de Fernando Henrique Cardoso 1, mas não pretende ser uma resposta a seus posicionamentos. Antes são indagações sobre pontos não completamente explicados, entre os quais a resposta “à questão do papel que cabe à intelectualidade no futuro que quer para o Brasil”, formulada por Mário Soares, e que deve ser estendida para toda a humanidade. Com o sentido amplo implícito, as questões e as percepções seguintes, procuram alcançar um coletivo e não um de seus representantes, o que seria injusto.

O que a Sociedade deve esperar dos Intelectuais?

Via de regra os cidadãos não chegam a formular expectativas relacionadas a intelectuais, pois nem os percebem. A metáfora de que os intelectuais habitam “torres de marfim” não existe sem motivos. Mas estes motivos não podem resultar em prejuízos para todos?

Grosso modo pode-se entender que a sociedade paga os acadêmicos para que mantenham a memória cultural através do ensino. Interpretar as circunstâncias de vida em constante evolução, interpretar os valores e conjecturar sobre possibilidades de futuro são objetivos adicionais, que os “acadêmicos” assumem com absoluta liberdade.

Impõe-se então a questão sobre a dedicação dos intelectuais aos problemas que ameaçam as sociedades com a necessária intensidade e de forma que seus esforços alcancem efeito prático e sejam reconhecidos.

A Sustentabilidade entendida como “conjunto de condições do bem-estar da humanidade no futuro” é hoje o maior risco percebido já para um médio prazo de poucas décadas. Trata-se, por natureza, de um risco global. Entretanto, mesmo enfatizando que os intelectuais haveriam de se ocupar com o futuro, Fernando Henrique Cardoso, um intelectual com rara experiência prática, não chega a posicioná-la no foco central de suas articulações. Não faz, por exemplo, nenhuma referência a José Eli da Veiga 2, nem a Antony Giddens 3, nem a uma responsabilidade do Brasil diante da sociedade global.

Pode-se admitir que os intelectuais – filósofos, cientistas políticos e sociólogos – sabem melhor que os demais cidadãos, que as condições mensuráveis da Sustentabilidade 5 não serão alcançadas, nem serão conservadas, sem a presença de instituições informais motivadoras. Entre tais percepções constam
o que se chama “Menschenbild” – a autopercepção das pessoas – e o “Weltbild” – a percepção das relações no mundo. Cabe, pois, aos intelectuais procurarem entender o conteúdo de tais percepções necessárias, examinarem a presença nas sociedades atuais e incentivar o seu reforço e, quando aplicável, se empenharem por rupturas de percepções. Não deveriam vacilar diante de conclusões sobre a necessidade de reformar as próprias crenças. Esta seria uma tarefa atual urgente da “vanguarda pensante”.

Elementos do futuro.

É incontestável que o futuro é imprevisível. Exemplos de experiências recentes de desenvolvimentos surpreendentes são a emergência da Sociedade Civil, articulando causas ambientais e sociais, e a globalização da economia. A fixação em utopias só tem resultado em experiências de tal modo catastróficas, que os pensadores haveriam de bani-las de suas considerações por responsabilidade e compaixão. De qualquer modo cabe examinar se os rumos de desenvolvimento apontam para resultados desejáveis, o que significa também verificar se são compatíveis com as aspirações naturais dos seres humanos 6. Neste espaço se está limitado à tentativa de evidenciar essa visão através de poucos exemplos de desenvolvimentos conhecidos.

A migração de instalações de produção industrial para países atrasados no desenvolvimento teve várias causas absolutamente econômicas: A escassez de mão de obra nos países de origem, os custos de mão de obra associados aos modernos recursos de comunicação e transporte, as limitações da capacidade de importação e os potenciais de mercado a serem desenvolvidos. Várias empresas multinacionais hoje produzem em dezenas de países. Este processo chama-se “Globalização”. A globalização até agora já propiciou um grande crescimento da produção mundial de bens e serviços, oferecendo ocupação de melhor produtividade para centenas de milhões de indivíduos resgatados da pobreza. Mesmo assim persistem resistências ao reconhecimento dos benefícios sociais globais desse desenvolvimento, que é irreversível, por motivos de fixação ideológica. Por outro lado, ainda não se tem dado a devida atenção ao fato de que a globalização da produção é acompanhada de uma globalização da concorrência pelas oportunidades de ocupação.

Já não se tem mais dúvidas a respeito das limitações naturais do volume de consumo e produção. Trata-se de um problema global objetivo, concomitante e imbricado com o da redenção da pobreza – da ocupação – de toda a humanidade. Este problema chama-se Sustentabilidade. Os seus aspectos ambientais mais discutidos são o das mudanças climáticas, o da poluição e o do esgotamento de recursos naturais como água, petróleo e espécies animais e vegetais. Via de regra nessas discussões os problemas da Sustentabilidade Ambiental e da Sustentabilidade Social ainda são abordados em separado, isto é, sem considerar que os componentes de solução como Reflorestamentos, conversão da Matriz Energética para baixo carbono e aumento da Eficiência Energética são grandes geradores de ocupação. Todavia, a abordagem do problema da pobreza pelos intelectuais está preza uma imagem difusa de “injustiça e desigualdade”, a serem, hipoteticamente, mitigadas por ações paternalistas filantrópicas e por “distribuição – ou re-distribuição - de renda”, cuja continuidade no longo prazo não parece possível.

A atual crise econômica não resultou de ciclos de desenvolvimento tecnológico, de investimentos e de ocupação. Resultou de transgressões de conhecidas “práticas recomendáveis” na concessão de créditos, que foram patrocinadas por um governo, seguidas de artifícios fraudulentos no repasse de títulos e da falta de controle e punição de desrespeito a regras básicas de administração bancária. A tolerância de práticas reconhecidamente danosas ao bem-comum público – ocupação, poupanças dilapidadas - resulta de falhas de percepção ética e não de supostas “contradições do sistema capitalista”, como ainda se pronunciam espíritos ideologizados. Fato é que crises econômicas causadas por desatinos no plano financeiro da economia não são compatíveis com uma imagem de equilíbrio e segurança de uma Economia Sustentável, necessariamente global, que ainda não foi conceituada. Poderão os condicionamentos culturais, que faltam, ser articulados através de aplicações da razão de Kant aos assuntos que atingem grandes contingentes humanos?

O encaminhamento de todos os problemas da Sustentabilidade não é de natureza “intelectual”, mas as posturas na abordagem muito podem contribuir para a velocidade de progresso dos processos de mitigação.

Tais posturas estarão fundamentadas nas percepções das pessoas e nas percepções das relações no mundo acima citadas. Elas precisarão ser reconhecidas e espontaneamente aceitas em todas as sociedades com suas diferenciadas culturas. Subentende-se que alguns valores e impulsos básicos estão presentes em todos os seres humanos por natureza, quaisquer que forem as explicações religiosas ou filosóficas. Por exemplo: Todos querem sobreviver e alcançar um bom nível de conforto. A percepção de um relacionamento entre as categorias Liberdade e Responsabilidade também é universal 6. Partindo de constatações dessa natureza, possivelmente, se poderá reformar uma série de expressões intelectuais costumeiras.

Referências:

1. Cardoso, Fernando H.
Relembrando o que escrevi – Da conquista da Democracia aos Desafios Globais, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2010.

2. Veiga, José Eli da
Mundo em Transe – Do aquecimento global ao Eco-desenvolvimento, Editora Autores Associados, Campinas, 2009.

3. Giddens, Antony
The Politics of Climate Change, Polity Press, Cambridge, 2009.

4. Hellmuth, Harald
Direita? < > Esquerda? www.insadi.org.br/blog 2010.

5. Como acelerar o Desenvolvimento Sustentável - Projetos – Agentes – Sociedades, inédito, 2006/8.

6. Marías, Julián
Liberdade e Responsabilidade.
www.hottopos.com/harvard2/liberdade_e_responsabilidade.htm - 2009.

Abraços e um bom fim de semana a todos

HH

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Direita? < > Esquerda? - Esta diferenciação ainda é válida?

Por Harald Hellmuth

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O país com a maior velocidade de desenvolvimento econômico, que mais cidadãos resgata da pobreza e que maiores esforços empenha na redução de emissões de gases causadores do efeito estufa é a China. O regime de governo da China é de partido único; portanto não é uma democracia. Mas tem se demonstrado pragmático, podendo servir de exemplo – benchmark – sob múltilos aspectos, como atesta acima a primeira constatação. Ouvi no lançamento do livro “Relembrando o que Escrevi – Da Reconquista da Democracia aos Desafios Globais” do próprio autor Fernando Henrique Cardoso, que um líder do governo chinês afirmou temer um regime em que se pudesse eleger um personagem despreparado, que assumiria a posição de maior poder no Estado, embora por tempo limitado, como ocorre numa democracia. Ele se referia aos Estados Unidos da América; no sistema chinês prevalece a meritocracia no âmbito do partido único e no Governo. Fernando Henrique comentou que o problema apontado é real e que merece um intensivo esforço de reflexão.

Em outro momento Fernando Henrique observou que no Brasil o termo liberal é utilizado como predicado de “coisa ruim” e até como insulto, no que ele identifica um tremendo equívoco, pois não existiria democracia sem liberalismo. Ele não chegou a lembrar que a economia liberal de mercado e a democracia são expressões indissociáveis do liberalismo, nascido na Inglaterra no século XVII. Aliás, os intelectuais presentes não fizeram sequer uma observação de natureza econômica. Este fato é bastante curioso, pois os intelectuais – três sociólogos e um filósofo - eram unânimes na sua posição “de esquerda”, sem definir o que seria “de direita”. Sabe-se que o pensamento “de esquerda” fundamenta em Marx e Rousseau, e se expressa numa ideologia de conflito de classes. Por sinal, desconheço uma ideologia social contrária “de direita”, ou seja, capitalista. O conflito por melhores salários e condições de vida em geral entre os sindicatos – “de esquerda” - e as empresas / os empresários – “de direita” - é de natureza econômica; resultou num aumento de renda, consumo, produtividade, redução dos custos e ascensão do proletariado à classe média. Este desenvolvimento ocorreu em sociedades democráticas, quer dizer, liberais.

Consta na reportagem da revista VEJA (edição 2159, pág. 120) sobre o lançamento do livro: “Em 1996, já na Presidência da República, declarou ao jornal francês Le Monde: “Ser de esquerda, para mim, é compreender a situação objetiva e fazer as transformações necessárias para permitir que os valores do humanismo, da democracia e da justiça social possam triunfar. Nesse sentido, sou verdadeiramente de esquerda”. O.k. Nesse sentido, somos todos de esquerda, presidente.” De fato, todos empresários o são. Acontece, que nem na China se consegue oferecer condições de vida mínimas desejáveis a todo o contingente de pobres num curto espaço de tempo.

E também não ideológicas foram as medidas que fundamentaram o desenvolvimento econômico e social do Brasil desde o primeiro governo de Fernando Henrique: A estabilidade do poder de compra da moeda, a responsabilidade fiscal, a desestatização da produção, a abertura da economia a reorganização do Estado. Trata-se de medidas de gestão econômica e administrativa que foram implantadas sob um regime de governo democrático, que, por natureza, repousa em percepção liberal.

Os exemplos da China e do Brasil demonstram que o desenvolvimento econômico, social e ambiental é uma questão da gestão independente de credos e ideologias. A oposição de esquerdas e direitas é vazia de sentido. Talvez somente agora esta percepção se tornasse possível.

HH

Uma boa Páscoa para todos !

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Sobre a Tentação da Regulação do Câmbio: Economia clássica e Sustentabilidade Social.

Por Harald Hellmuth

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As relações de câmbio se manteriam estáveis se os balanços comerciais fossem equilibrados. Acontece que a China resgata da pobreza, incorporando à produção industrial-urbana, 30 milhões de cidadãos, anualmente, que passam a consumir mais, embora o seu consumo seja modesto. A velocidade do aumento da produção é maior que a velocidade do aumento do mercado interno da China.

Hoje para a China, e para a humanidade, o resgate de seus cidadãos da pobreza deve ter prioridade sobre o equilíbrio das balanças comerciais. Todavia, a China exportando enormes volumes de produtos simples e baratos - exemplo: sapatos - exporta também “desemprego”. Barreiras alfandegárias e o combate ao contrabando são medidas cabíveis para combater este efeito. Entretanto, para diminuir o desemprego, os Estados Unidos, e outros países, precisam, antes de tudo, reintegrar produções que “terceirizaram” e se empenhar na transformação da matriz energética. Pode ser que então a fabulosa velocidade de urbanização na China reduza um pouco.

É simples assim, mas certamente não é tudo. De qualquer forma, o restabelecimento de um melhor equilíbrio nos balanços comerciais não requer instituições internacionais de regulação, que são impotentes diante das políticas soberas dos países.

Focalizando o Brasil, pode-se completar observando que: O resgate da pobreza protagonizado pela China é sustentável, pois não se baseia em filantropia nem em incentivo artificial do consumo. Diante deste modelo, no Brasil se faria melhor se a população pobre habitante das florestas, da caatinga e do cerrado fosse atraída para cidades industriais, mesmo alguma nova, na costa das regiões Norte e Nordeste, com indústrias verdes supridas por grandes projetos de reflorestamento. Os projetos de reflorestamento também ocupariam um numeroso contingente de “famílias de assentados”. O desenvolvimento da geração eólica e da geração com biomassa, com produção nacional dos equipamentos, ao mesmo tempo em que também criaria ocupação de alta produtividade, solucionaria o problema da segurança do suprimento de energia de forma sustentável, sem agressões à natureza.

Desta forma, dando prioridade ao resgate dos contingentes de pobres o Brasil estaria prestando uma contribuição realmente significativa de alcance global para a redução das emissões de gases de efeito estufa e, por conseqüência, para a limitação do aquecimento do clima.

Até meados do século XX os pensadores da disciplina economia não tinham motivos para considerar os problemas atuais acima citados referentes à Sustentabilidade Social e Ambiental. Mas continua válido que o país que manipular o câmbio perderá um indicador importante de seu desempenho no mercado externo.

No momento atual não tem muita utilidade conjecturar sobre uma situação futura quando a prosperidade da sociedade chinesa - e da indiana e de mais outras - tiver alcançado um nível desejável e o seu mercado interno puder absorver uma maior porção da produção. Até então as demais sociedades impactadas pelas práticas políticas de manipulação do câmbio precisam se defender com recursos práticos de efeito imediato, a exemplo das medidas citadas, e fazer os seus deveres de casa referentes à Sustentabilidade Social e à Sustentabilidade Ambiental.

Abraços e uma boa semana a todos.

HH

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Considerações sobre os conceitos Sobrevivência, Responsabilidade e Liberdade.

Por Harald Hellmuth

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“Durante oo curso do AWA - Arbeits und Wirtschaftswissenschafliches Aufbaustudium - em München, e particularmente nas matérias jurídicas, formei a idéia de que existem contextos consistentes de conceitos e que a consistência é congruente com a verdade. Na matemática, na física e na química a verdade é mensurável. No mundo dos conceitos a consistência indica a verdade. Com relação aos campos de conhecimento “não exatos”, me ensinaram que Dewey - filósofo classificado como pragmático - indicou que a verdade científica é encontrada percorrendo-se um trajeto de 5 estágios: exploração / observação, ordenamento / classificação, definição / conceituação, explicação / teoria, experimentação / aplicação. Quando se observa algo que não confirma a teoria é preciso retomar o processo.

Então, a consistência dos significados, definições, empregados é um indicador do acerto e da intenção de qualquer discurso escrito ou falado. Isto não é novidade. Mas foi por isso que se procurou por um significado para o termo Sustentabilidade no início do trabalho “Como acelerar o Desenvolvimento Sustentável”, ainda inédito 1, significado que o José Eli da Veiga, professor de economia na USP confessa não encontrar no final de “Desenvolvimento Sustentável - o desfio do século XXI” 2. É curioso que se empregue tão amplamente os termos Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável sem ter uma referência mensurável do significado. Há percepções do que não é compatível com Sustentabilidade e desempenham-se esforços na “direção certa”, como por exemplo na política energética nos países europeus com o objetivo de reduzir as emissões de GEE. A concentração desses gases na atmosfera é uma nova referência monitorável. A evolução da eficiência energética, isto é, a razão PIB/MWh, é uma medida dos esforços de racionalização do consumo de energia. Junto com a participação das fontes de energia limpa na matiz energética indica o progresso na direção da estabilização do clima através da limitação da concentração dos GEE na atmosfera. A estabilidade do clima é uma das dimensões da Situação Sustentável 1, que se caracteriza pela Sustentabilidade. Esta é a condição de Sobrevivência da humanidade. Observa-se que o conjunto de conceitos assim formulados “funciona”.

Que a vida figure no topo dos sistemas de valores não requer explicações. Sem a vida nada existe. O impulso de preservar a própria vida é a maior das motivações. Contudo a preservação da vida só é possível em comunidades. Isto significa, que conservar a vida implica em contribuir para a sobrevivência dos demais. Tal contribuição, necessária e por isso esperada, fundamenta a Responsabilidade. Portanto, entende-se que o desempenho da Responsabilidade como sendo a entrega da contribuição para a Sobrevivência da comunidade em benefício da própria Sobrevivência. Trata-se de um relacionamento de reciprocidade que, em princípio é obrigatório e, ao mesmo tempo, é voluntário. A dimensão de ser voluntária, ou seja, a dimensão da Liberdade de ação, fundamenta a percepção de realização do indivíduo no desempenho da Responsabilidade.

As tradicionais percepções de Responsabilidade dos cidadãos se referem à Sobrevivência própria e da família, à Sobrevivência da organização para a qual trabalha e à Sobrevivência da sociedade na qual vive. Desde a segunda metade do século XX vem se consolidando uma percepção adicional pela Sobrevivência da humanidade. Esta nova visão afetará com intensidade crescente o comportamento dos indivíduos e nos seus contextos de vida, ou seja, família, organização e nação através da maior compreensão das conseqüências das ações individuais e coletivas. Malgrado os exemplos animadores de progressos, que podem ser observados, por sinal todos resultantes de ações soberanas e voluntárias, prevalecem ainda obstáculos para ações de grande escala e impacto decisivo. Talvez o obstáculo mais importante seja de percepção conceitual: A falta da compreensão de que Responsabilidade não é negociável; Responsabilidade só pode ser desempenhada por livre vontade de cada parte, embora seja um compromisso por Sobrevivência.

Para o âmbito do cidadão empenhado numa organização, Peter Drucker identificou o modelo do “educated person”: O “knowledge worker”, aplicando o seu conhecimento especializado é responsável pelo desempenho da organização. Todavia, os resultados que garantirão a sobrevivência da organização encontram-se fora desta, ou seja, na sociedade. Durante a última década, tem-se fortalecido a percepção de que as organizações além da Responsabilidade pela sobrevivência própria também são co-responsáveis pelas condições de vida - da Sustentabilidade Ambiental e da Sustentabilidade Social - na sociedade em que estão inseridas. Tem-se verificado, que o atendimento a estas dimensões “adicionais” reflete de forma positiva no desempenho econômico das empresas / organizações. Portanto, é previsível que passarão a integrar os sistemas de planejamento. Em “Gerenciamento pelas Diretrizes” Vicente Falconi descreve um modelo de planejamento pelo qual todas as ações na organização são orientadas para a realização das metas - de sobrevivência - da organização e que oferece aos colaboradores espaços para contribuir na formulação de metas e para desenvolver iniciativas. A liderança tem a dupla função de realizar metas com sua equipe e de estimular os colaboradores a explorarem os espaços de liberdade, de forma que todos venham a corresponder ao modelo do “educated person”. A motivação para o melhor empenho possível nasce e se fortalece nas pessoas através de experiências de realizações.

Por melhor que as organizações percebam e desempenhem as Responsabilidades estendidas ao âmbito do bem-estar das sociedades, ações de impacto decisivo para a Sustentabilidade cobrindo amplas extensões territoriais e numerosos contingentes humanos estão fora de seu alcance de realização. Ações como por exemplo o oferecimento de oportunidades de trabalho com nível de produtividade que gere renda para a manutenção de níveis de conforto mínimo, a indução da redução do consumo de energia, a composição da matriz energética de baixas emissões de GEE, a conservação de biomas e da biodiversidade e a promoção de extensos projetos de reflorestamento cabem aos governos e às instituições dos estados. As sociedades ainda não se mobilizaram para exigir de seus representantes o desempenho soberano da Responsabilidade pela realização de uma Situação Sustentável para a Sobrevivência da humanidade1. Deverá então surgir um modelo de gerenciamento político, análogo ao modelo de gerenciamento de organizações, tendo como meta a possível contribuição nacional para a Situação Sustentável, que é global por natureza.”

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Desequilíbirio econômico na zona do Euro (e do Dólar).

Por Harald Hellmuth

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A causa básica da doença é a globalização da concorrência pelas oportunidades de trabalho. Não vi ainda este fato ser debatido consistentemente; debatem-se conseqüências, como o desemprego, os déficits fiscais e as dificuldades de manter a rede de proteção social, reduzindo-se os valores das aposentadorias.

Tornou-se uma prática discutir economia a partir das finanças, o que parce ser um vício que não tem condições de produzir corretivos. A prosperidade que emergiu na Europa e no Japão, e depois nos Tigres Asiáticos, resultou do trabalho. Não faz sentido apontar “fartura de crédito” como origem ou causa. De fato as populações dessas regiões são poupadoras. As possibilidade do crédito nascem da poupança.

A política da defeza social não é sustentável se recorrer a endividamento público. Financiar projetos de investimento faz sentido, porque desenvolvem a economia. Financiamento de consumo não tem retorno; significa viver às custas do futuro. A tentativa de impulsionar a economia através de créditos para o consumo levou ao despropósito das “hipotecas sub-prime”, uma flagrante transgressão das boas práticas consagradas da administração do crédito, promovida pelo governo -
inicialmente o de Clinton - e sustentada pelo FED.

Ainda falta um promotor para acusar a fraude e o gangsterismo. Eu
acredito que esta ocorrência seja a melhor prova da decadência da produção e da economia causada pela exportação dos empregos: O governo não percebeu oportunidades de estimular a economia por aumento da produção.

De fato não é previsível como as economias nacionais chegarão a um equilíbrio. Uma das condições apontáveis é o desenvolvimento dos mercados internos da China e da Índia. No Brasil tenho dúvidas: As proporções são bem menores.

As minhas dúvidas se referem à motivação de contingentes não pequenos da população de se empenharem por melhorar de vida através de trabalho disciplinado, contínuo e de maior produtividade. Para os demais habitantes o problema é menos virulento, pois não existiu ainda um sistema de proteção social de welfare state, por sinal a ser financiado pelo trabalho. Penso que na Europa e nos Estados Unidos alguns excessos de conforto não se sustentarão e que será preciso retomar produções expatriadas.

De qualquer forma a conversão das matrizes energéticas e as tecnologias verdes podem servir para uma ativação do trabalho e das rendas nacionais. Quando as matrizes energéticas se tornarem
menos dependentes - ou mesmo independentes - do petróleo, os países desenvolvidos estarão libertados de uma considerável carga de importação, e os países fornecedores terão perdido os mercados.

Espero que este texto estimule a discussão do desenvolvimento econômico e social a partir do trabalho - da ocupação e da produtividade - e não a partir do crédito, das finanças.

Abraços

HH

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POLÍTICA ENERGÉTICA

Por Harald Hellmuth

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Na cena global está consolidada a percepção de que o problema da segurança do suprimento de energia e o problema das mudanças climáticas estão indissoluvelmente imbricados, precisando ser solucionados de forma coordenada. Em geral escapa ainda uma terceira dimensão, a dimensão social da ocupação com renda compatível com um nível de conforto desejável. As ações orientadas para a solução destes três problemas seriam parte importante de uma política econômica, social e ambiental, ou seja, de uma Política para o Desenvolvimento Sustentável.

Entende-se que numa Situação Sustentável a economia seria obrigatoriamente Verde. No ambiente global entende-se também, que Economia Verde e eliminação da dependência dos combustíveis fósseis são “sinônimos” para uma mesma meta. E entende-se ainda, que a mitigação dos riscos climáticos é uma meta por natureza global. Assim sendo o mesmo se aplica à meta da Economia Verde e a seu sinônimo da redução drástica do consumo de combustíveis fósseis.

Em grande parte os recursos tecnológicos e financeiros para uma Política Energética Verde existem. Pode-se afirmar, que a indústria dos transportes ainda resiste à passagem aos acionamentos híbridos e elétricos para veículos com peso reduzido. Espera-se também por uma forte evolução na tecnologia dos biocombustíveis. Existem grandes espaços para a redução do consumo, tanto na área predial como no aumento da eficiência energética, ou seja na redução do insumo de energia por unidade de produção. Estes efeitos seriam produzidos de forma “difusa” na sociedade e com tanto maior volume e prontidão quanto melhor forem incentivados por iniciativas governamentais de incentivos fiscais e de financiamentos, além de normatizações.

Com esta reestruturação as sociedades desenvolvidas conseguiriam manter a ocupação, talvez elevar o PIB, com simultânea redução do consumo de energia. São noticiados potenciais de redução de consumo entre 20 e 40% nas sociedades desenvolvidas, com correspondente redução da queima de carvão, gás e petróleo. Desta forma acelerariam a participação das energias limpas nas suas matrizes energéticas na medida em que investem na geração eólica e solar, além da geração com bio-massa. Nesta abordagem resumida não se descarta a aplicação de geração nuclear, mas a reserva para casos excepcionais.

Sem margem de dúvida a grande surpresa no contexto da geração de energia é o desenvolvimento alcançado no aproveitamento da energia dos ventos. As potências unitárias e as eficiências aumentaram a ponto de possibilitar a execução de grandes projetos com preços da energia comparável com a energia produzida com carvão e gás natural. Adicionalmente, o preço é previsível, porque independe dos preços de commodities e do câmbio, o prazo de implantação é curto - de um ano -, fator importante para a rentabilidade dos investimentos, e a geração não compete com o uso da terra e da água. Importante também é que não causa interferências em florestas. Além das vantagens econômicas e ambientais ainda cria ocupação local. Na Dinamarca, que liderou o desenvolvimento tecnológico, 20% da energia consumida é de origem eólica tendo-se explorado não mais de 20% do potencial. Em dias com fortes ventos toda a energia consumida na Dinamarca é gerada por suas 5.000 turbinas. Lester Brown afirma, em Plan B3.0, que toda a energia consumida nos Estados Unidos poderia ser captada dos ventos, inclusive a que alimentaria os veículos com acionamento híbrido e elétrico.

As empresas européias fabricantes de turbinas eólicas estão instalando fábricas nos Estados Unidos para explorar este mercado. A reformulação da matriz energética exige também uma nova estrutura do sistema de transmissão e de distribuição, com grandes demandas de mão-de-obra.

Além de resolver o problema da poluição atmosférica a energia eólica, em conjunto com a energia solar, tornariam os Estados Unidos independentes da importação de petróleo. Todavia, no momento o líder no investimento em energia limpa é a China, tanto na energia eólica, como na energia solar e na energia nuclear, mesmo ainda aumentando a queima de carvão.

Na China já existiam mais de um milhão de empregos nos setores de energias renováveis, com acréscimos de 100.000 por ano. A China, confrontada com uma massa de população pobre e tendo um governo autoritário decidido de resgatar centenas de milhões de seus habitantes da pobreza, é benchmark no desenvolvimento econômico e social, mas também no desenvolvimento ambiental. A eficiência energética da economia chinesa tem feito surpreendentes progressos, embora partindo de uma base muito baixa. Pode-se afirmar que a China executa um Projeto para o Desenvolvimento Sustentável.

Observa-se que não existe o problema da transferência de tecnologia tão presente nos discursos. Como está o Brasil nesta cena? Não há dúvida a respeito de que no mínimo 20% da energia consumida poderia ser economizada, mas não existe ação do governo neste sentido. Esta economia corresponderia a cerca de 30% da potência instalada. Não haveria, portanto urgência na instalação de novas capacidades de geração, caso se incentivasse a redução do consumo. A indústria por razões de competitividade acompanhará os esforços internacionais de melhoria da eficiência energética. O mesmo pode ser previsto para a evolução dos transportes.

É quase inacreditável que não exista uma política de incentivo à geração térmica com bagaço de cana, tendo em vista que o potencial é avaliado em 14.000 MW, o sua exploração dispensaria linhas de transmissão extensas e o aumento da renda das usinas beneficiaria a competitividade do açúcar e do etanol, além de ser energia verde. Ainda mais absurda é a desatenção à exploração do potencial de energia eólica, estimado em 140.000 MW, mais que toda a potência instalada, principalmente no Nordeste, sabidamente carente de energia. O custo resultante do primeiro leilão está no nível praticado para pequenas centrais hidrelétricas, cairá com escala da produção nacional dos equipamentos e não precisará incorporar o da transmissão devido à proximidade aos consumidores.

A determinação do governo de instalar usinas hidrelétricas na Amazônia baseia numa percepção superada, que só se mantém devido à desatenção da sociedade. Não há como negar que a sua prática é mais prejudicial ao Meio Ambiente que a geração eólica e que não contribui para o desenvolvimento da indústria nacional. Uma quebra dos paradigmas de percepção e uma orientação pelos exemplos - benchmarks -, proporcionados por outras sociedades, deve ser possível também nas democracias.

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Contemplações e sonhos de um cidadão setuagenário no início de um novo ano.

Por Harald Hellmuth

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Desde o desde meados da década de 1950 o Brasil:
- desenvolveu o interior a partir de construção de uma nova capital, símbolo da arquitetura do século XX,
- foi poupado de uma experiência socialista por militares patriotas,
- instalou uma base industrial razoável,
- aumentou a produtividade agrícola a partir de desenvolvimentos científicos próprios,
- substituiu a gasolina de origem fóssil pelo etanol renovável,
- transitou sem experiências traumáticas da fase militar para a democracia,
- venceu a inflação e estabeleceu políticas econômicas sensatas e as instituições correspondentes,
- conseguiu uma transição de governo harmoniosa após às eleições. Hoje todos os segmentos da
população puderam uma vez se sentir “no governo”,
- reduziu espontaneamente o crescimento da população,
- alcançou superávits comerciais repetidos,
- aumentou o PIB/capita e o IDH.

Agora o Brasil precisa superar vícios:
- da percepção de pobre recalcado diante da comunidade internacional,
- da utilização do Estado para interesses de grupos,
- da fraqueza do sistema de educação em todos os níveis,
- do estilo governamental circense e sofista,
- das crenças socialistas do estado todo poderoso,
- da corrupção.

Também o Brasil precisa agora adaptar as visões ao futuro - ao verdadeiro Desenvolvimento Sustentável:
- terminando logo com os desflorestamentos, em particular da Amazônia e também do Cerrado,
- providenciando ocupação com bom nível de produtividade para os contingentes ainda pobres
da população,
- estabelecer uma economia verde, inclusive grandes projetos de reflorestamento, com ocupação
de dezenas de milhares de famílias, e tornando-se um sumidouro de gases causadores do
efeito estufa,
- promovendo a geração eólica e solar em substituição às usinas termelétricas e às usinas
hidrelétricas na Amazônia,
- aumentando a produtividade, isto é, economizando no consumo, inclusive de energia,
- ajustando a estrutura fiscal,
- …….
- …….

Cada cidadão pode completar com o que lhe ocorrer.
Minha sugestão:
- Porque não tomar um impulso ao modo de JK, mas agora na pauta da Sustentabilidade?:
— fim do desmatamento em 3 anos!
— início imediato de grandes reflorestamentos com estabelecimento das instituições correspondentes.!
— instalação de centros urbanos em torno de indústrias verdes na costa da Região Norte
em 4 anos!
— extinção da pobreza com base no trabalho produtivo em 5 a 10 anos!

Abraços e boas reflexões !

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Balanço da COP 15.

Por Harald Hellmuth

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A conferência de Copenhague terminou sem alcançar nenhum dos resultados esperados: Metas compromissadas de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE), pelo menos dos países desenvolvidos, e uma garantia de ajuda financeira aos países mais pobres. Nem os alertas de cientistas, nem a pressão da opinião pública ajudaram os chefes de Estados presentes a encontrarem um consenso que fosse aceitável por todos os 193 países participantes. Foi tudo em vão?

Sem dúvida qualquer tentativa de um balanço definitivo dos efeitos da COP 15 é prematura. Mas pode se conjecturar sobre os obstáculos que se impuseram à obtenção de resultados mais satisfatórios.

Tratando-se de um processo de entendimento global as dificuldades de consenso não devem surpreender. Nos âmbitos nacionais o desenvolvimento das instituições formais, entre as quais estão as leis, já é demorado e a convergência das percepções muitas vezes não chega a consenso. As percepções são diferentes nas diversas sociedades e mesmo entre as sociedades desenvolvidas, as sociedades subdesenvolvidas e pobres e as sociedades emergentes.

Houve uma evolução das percepções desde a Conferência Rio-92 e o Protocolo de Kyoto, cuja continuação e atualização era o objetivo principal da COP 15: A publicação do quarto Relatório do IPCC em 2007 indicando as condições para a limitação do aquecimento global e o aumento das emissões de GEE por países não considerados desenvolvidos, além de consolidarem a percepção da urgência de ações de mitigação e de adaptação revelaram que não é adequado isentar sociedades de ações responsáveis em benefício do destino comum da humanidade. Todavia, a formulação das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, segundo à qual somente os países listados no Anexo I da Convenção do Rio estariam obrigados a cumprir compromissos de redução de emissões, transferir tecnologias e prestar apoio financeiro aos demais países, foi interpretada como sendo uma “conquista”, da qual há reticências de renunciar.

Desde 1992 estabeleceram-se contradições, se não paradoxos, conceituais. Primeiro não foi consciente que as responsabilidades se referem às futuras condições de sobrevivência das espécies, inclusive a humana. É verdade que os maiores poluidores terão de desenvolver esforços para reduzir as emissões em maior grau por razões práticas, mas não devido às emissões ocorridas no passado. É verdade que o acúmulo de GEE na atmosfera resultou da utilização dos combustíveis fósseis na geração de energia e nos acionamentos dos transportes; entretanto, do desenvolvimento tecnológico, que produziu o elevado nível de vida de uma parcela da humanidade, resultaram também as tecnologias que hoje possibilitam desenvolvimentos econômicos e sociais sem aumento das emissões. O aumento exponencial da população terrestre também foi possibilitado pelo desenvolvimento tecnológico; causa um agravamento dos riscos climáticos, entre outros, mas nem sequer é abordado no contexto do aquecimento global. A destruição de florestas ocorreu ao longo da história, embora não tenha fundamentado o desenvolvimento econômico; todavia não foi formulada ainda a exigência da recomposição ou do aumento da capacidade de seqüestro de carbono onde as florestas desapareceram, a exemplo da região mediterrânea. Sobretudo, passou despercebido, que responsabilidade, por natureza, não é uma categoria sujeitável a negociações: Responsabilidade só é desempenhável por indivíduos, organizações ou sociedades, voluntariamente.

Diante de percepções tão confusas as dificuldades de entendimento são incontornáveis. Mas questões de ordem prática contribuem de forma mais imediata para o impasse, sobretudo quando se procuram metas, mesmo quando se perceber a sua natureza unilateral e voluntária. Metas de redução de emissões de GEE são quantificáveis apenas quando pautadas por ações planejadas. Entretanto não foi reportado que ações, que produziriam as reduções de emissões de GEE nos diversos países, tenham sido abordadas durante a COP 15. Isto significa que as tratativas careceram de base prática. De fato nenhuma representação estava disposta a aceitar uma discussão pública de atividades internas por questões de soberania. Aos equívocos conceituais e às contradições em percepções somaram-se, portanto, equívocos no foco das tratativas sobre metas. A adoção pela comunidade de nações da recomendação do IPCC para o limite de 2oC do aquecimento global só pode mesmo ser entendida como um parâmetro orientador de programas de ações concretas.

O apoio financeiro a países pobres é tema recorrente desde as primeiras abordagens de ajuda para o desenvolvimento depois da segunda guerra mundial. É evidente que o momento atual em que as sociedades se empenham por superar uma crise econômica e garantir empregos não é favorável a promessas de auxílio financeiro. De qualquer forma encaminhar uma negociação para “arrancar mais recursos dos EUA (Carlos Minc, OESP, 17.12.09 pág. A26) é por demais simples. Acabou-se evoluindo para a participação de países emergentes num fundo para a ajuda financeira aos países mais pobres.

Além dos condicionamentos resultantes das percepções e dos procedimentos do encaminhamento das conversações, a consideração dos reais potenciais de contribuição de cada participante e das condicionantes, a que estão submetidos, precisam ser considerados, tanto na formação de expectativas realistas, como no encaminhamento de negociações. Quanto aos EUA, existe o potencial de transformar a matriz energética hoje fundamentada em carvão e petróleo numa matriz com predominância das energias eólicas e solares, inclusive nos transportes com a adoção dos acionamentos híbridos, num prazo de 15 a 20 anos. Mas atualmente a legislação e a estrutura fiscal ainda não estão adequadas e os empreendimentos resistem; num regime democrático o governo não pode adiantar compromissos não suportados pelo Congresso. A China está empenhada em resgatar da pobreza centenas de milhões de cidadãos através de um inédito esforço de industrialização e de urbanização, que a projetou para a posição de maior poluidor – não só – atmosférico. Todavia a China desenvolve enormes esforços para aumentar a eficiência energética da economia, executa um ambicioso programa de usinas eólicas, é o maior fabricante global de painéis fotovoltaicos e de captação de energia solar para aquecimento, além de estar realizando um programa de reflorestamento em extensas áreas. A condição de regime autoritário favorece esta espantosa mobilização, mas também explica a aversão a inspeções em seu território. Atualmente pode ser ainda impossível prever o momento em que os esforços de mitigação resultarão numa redução das emissões. A Índia apresenta condições semelhantes às da China.

Com os países maiores poluidores incapacitados de se comprometer com metas, as expectativas e as programações para a COP 15 foram ilusórias. Todavia, o impasse induziu uma evolução das percepções que se materializa no texto final, que “estabelece que os países deverão providenciar “informações nacionais” sobre de que forma estão combatendo o aquecimento global, por meio de “consultas internacionais e análises feitas sob padrões claramente definidos”. Esta formulação encerra o potencial de modificar de forma radical a continuação das tratativas, pois focaliza as ações devidas por cada parte e a prestação de contas diante da comunidade internacional.
Caso esta reorientação se confirmar, a COP 15 não foi em vão. Reconhecer-se-á então, que conferência produziu um passo imprescindível na direção da mobilização das sociedades pelo Desenvolvimento Sustentável, ou seja, pela solução simultânea dos problemas ambientais, sociais e econômicos.

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