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Ambiente Saudável – Metas – Responsabilidade - Parte 2 de 3
PARTE 2 de 3

Ambiente de produção….
Forçosamente, em cada momento o ambiente de produção é espelho do desenvolvimento tecnológico e das circunstâncias sociais. No inicio da industrialização a maioria das tarefas eram rudes, muitas vezes fisicamente penosas, exigiam pouca instrução. As jornadas eram muito longas, chegando a mais de 12 horas. Empregavam-se menores. As condições de vida eram precárias e a expectativa de vida baixa, perto de 50 anos. Contingentes da população despossuída migravam do campo para as cidades ou para o exterior, principalmente os Estados Unidos. Nas sociedades pioneiras na industrialização tais condições de trabalho e de vida melhoraram com o avanço do desenvolvimento tecnológico do qual resultaram novos produtos e uma quantidade maior de oportunidades de trabalho. Configuraram-se instituições defensoras dos interesses coletivos dos assalariados, os sindicatos, que passaram a negociar salários e outras condições com representações dos empresários. Surgiram as instituições estatais de segurança social – aposentadoria, seguro desemprego e seguro de saúde.
Apenas para relembrar, alguns marcos do desenvolvimento tecnológico, importantes para a expansão dos mercados e do consumo que caracteriza a prosperidade, foram a invenção de novos acionamentos térmicos para a motorização de veículos, a exploração e industrialização do petróleo, toda a indústria química inclusive os adubos sintéticos e os materiais sintéticos orgânicos, a eletrificação da iluminação e dos acionamentos de máquinas, as telecomunicações e, mais recentemente, a automatização e a informática. É importante notar que todo este impressionante desenvolvimento ocorreu espontaneamente, isto é, sem imposição ou regulação por um poder estatal num curto prazo histórico de aproximadamente 200 anos.
Se o desenvolvimento das economias foi espontâneo, ele resultou das Motivações dos empreendedores e dos colaboradores nas organizações. Particularmente reveladora é a comparação dos desempenhos depois da Segunda Guerra Mundial da Alemanha Ocidental e do Japão, inseridos num ambiente liberal de mercado - de competição - e democrático, com os desempenhos dos países do hoje extinto bloco soviético com planejamento central e regime autoritário, inclusive da própria Rússia, contrariando as previsões de natureza ideológica.
Durante os últimos 50 a 60 anos as organizações de produção se transformaram radicalmente tanto na configuração dos produtos e serviços, na configuração dos processos de produção, nas estruturas de administração e no perfil dos colaboradores. Além do mais, praticamente todas as empresas de grande porte e mesmo muitas menores hoje operam em diversos países, ou seja, são “globalizadas”. Isto significa que se estabeleceram capacidades de produção em sociedades menos desenvolvidas transferindo capital, conhecimentos e práticas, ou seja, transladando os “ambientes de trabalho” desenvolvidos nos países de origem. As oportunidades de ocupação assim estabelecidas contribuem para o fortalecimento dos mercados internos nos países que passam a ser integrados na produção globalizada.
Para os colaboradores o conjunto dos componentes técnicos, administrativos e operacionais do trabalho representa conhecimento a ser integrado e constantemente atualizado. Para as organizações o empenho pela sobrevivência significa o estabelecimento de estratégias, a configuração de um sistema de gestão que assegure a operação de todas as partes em sintonia com as metas e o cultivo de um ambiente estimulante e inspirador do melhor desempenho possível de todos os colaboradores.
….nos pequenos empreendimentos.
Numa empresa pequena, talvez recem-fundada, o empreendedor está presente junto aos colaboradores, que ele orienta segundo a sua concepção do negócio. A Sobrevivência da empresa, que é o objetivo - Meta - mínimo do empreendedor, é equivalente à conservação do patrimônio investido e resulta do reconhecimento do benefício que os produtos e serviços da empresa encontram na sociedade, no mercado. Por outro lado, o resultado é função direta do desempenho da equipe em termos da quantidade e da qualidade da produção. Além da orientação “técnica” o empreendedor se empenhará no mínimo por um “ambiente de trabalho aceitado”, que permita a continuidade dos padrões da produção. Mas estará bem recomendado se procurar estimular a equipe à apresentação de iniciativas de melhorias do desempenho. Para tanto são necessários espaços de liberdade no ambiente de trabalho, reconhecimento e lealdade recíproca. O estabelecimento e a manutenção do Ambiente de Trabalho estimulante, quer dizer, Saudável e, por conseqüência, motivador é uma arte, que tem como ponto central a pessoa do empreendedor.
….nas organizações complexas.
Pode-se considerar ser evidente o interesse de grandes organizações, não só das empresas, em abrigar ambientes assim caracterizados, ou seja, “Ambientes Saudáveis”, em todas as partes de suas estruturas. Então o estabelecimento de ambientes geradores de motivação deve constar entre as principais Metas da gestão de organizações. Como seria possível aproximar uma Meta difusa como é um “ambiente de alta produtividade”?
Nos grandes empreendimentos o posicionamento estratégico, a disposição dos recursos e a definição de metas são exercidas pela direção. Grandes esforços são empenhados em sistematizar os procedimentos de execução dessas tarefas. Mas mesmo no texto de Michael E. Porter 5, que se tornou uma referência, não consta a dimensão de relacionamento com os colaboradores. Mas é inevitável que o comprometimento fique prejudicado na falta de uma estratégia de sustentação do desempenho. Trata-se do cultivo de uma relação de lealdade entre organização e colaboradores, que, por natureza, precisa ser recíproca para ter consistência. Seria um componente da cultura da organização.
Para a comunicação e o sucessivo detalhamento das Metas e a sua tradução em tarefas de forma sistematizada ao longo das estruturas de gestão consagrou-se o método denominado “Balanced Scorecard”, desenvolvido por Robert S. Kaplan e David P. Norton 6. Na configuração de referência – não obrigatória – são destacados quatro tipos de metas que devem ser realizadas simultaneamente: São metas financeiras, metas de mercado incluindo inovações, metas de racionalização - de melhorias de produtividade incluindo mudanças de processos - e metas de capacitação dos colaboradores. Mas o conhecimento das metas por si só não garante a sua compreensão e a integração nas posturas. Cabe aos responsáveis pelas equipes e realizações em todos os níveis traduzir aos colaboradores o significado da realização das metas para o fortalecimento competitivo do empreendimento no mercado e para a Segurança da renda, que não são tão diretamente perceptíveis pelos participantes em grandes estruturas. Dessa forma os responsáveis estariam desempenhando o papel dos empresários nas pequenas empresas, como foi resumido acima. O próprio método BSC facilita a transmissão de uma visão de conjunto da cena 7. E, quando se abre um espaço de Liberdade para o diálogo sobre as Metas e para proposições e iniciativas para explorar oportunidades, se possibilita a vivência da participação na solução dos problemas relativos à realização das Metas. Nascem daí percepções de Responsabilidade semelhantes às do empreendedor. Portanto, é possível constatar, que o Ambiente Saudável no trabalho resulta da atitude empreendedora e da qualidade da comunicação em toda a estrutura de gestão.
Fica assim caracterizado que o Ambiente Saudável, caracterizado por alta produtividade, resulta da prática do trabalho diário com a Responsabilidade de realizar Metas por cada um. A sobrevivência das organizações depende da percepção e do desempenho da Responsabilidade.
Fica assim caracterizado que o estabelecimento e a conservação de um Ambiente Saudável precisa se cultivado pela gestão ao lado da execução adequada do procedimento para a integração de Metas 1,2,6. São estes os aspectos que fundamentam possibilidades para respostas positivas para as questões no início dessas considerações.
Referências.
1. Falconi, Vicente
Gerenciamento da Rotina do Trabalho do Dia-a-Dia, 8a edição, INDG Tecnologia e Serviços Ltda, Nova Lima, 2004.
2. Falconi, Vicente
O Verdadeiro Poder, INDG Tecnologia e Serviços Ltda, Nova Lima, 2009.
3. Marías, Julián
Liberdade e Responsabilidade.
www.hottopos.com/harvard2/liberdade_e_responsabilidade.htm
4 North, Douglass C.
Institutions, Institutional Change and Economic Performance, Cambridge University Press, 22a edição, New York, 2006.
5. Porter, Michael E.
Competitive Strategy, The Free Press, New York, 1980.
6. Kaplan, R. S / Norton, D. P
A Estratégia em Ação – Balanced Scorecard, Editora Campus Ltda., 16a Edição, Rio de Janeiro, 1997.
7. Hellmuth, Harald
BSC – Sustentabilidade – Comunicação: Exemplo na Gestão de Condomínio www.insadi.org.br/blog
Um bom fim de semana a todos.
Abraços
HH
Ambiente Saudável – Metas – Responsabilidade - Parte 1 de 3
PARTE 1 de 3

Introdução.
Assuntos relacionados ao desempenho de profissionais ocupam largos espaços nas prateleiras de livrarias, em páginas de jornal e revistas e entre os anúncios de serviços de consultoria. Até que ponto este volume de manifestações se justifica? Como avaliar quais despesas com consultoria compensam?
Nestas considerações procura-se por uma resposta simples, cujo conhecimento possa ser útil na prática para todos os interessados. Para alcançar este objetivo é preciso partir de uma base incontestável e testar a conformidade do resultado com as teorias, que já se demonstraram consistentes. Eventualmente se conseguirá demonstrar possibilidades de aperfeiçoamento nas práticas e apontar evoluções necessárias para o posicionamento em relação a problemas vivenciados.
Por isso o texto está dividido em três partes: Uma fundamentação em constatações genéricas, a aplicação das constatações a ambientes de produção atuais com o posicionamento em relação às questões levantadas e uma verificação da consistência com conhecimentos consagrados.
Constatações genéricas.
O conceito central dessa reflexão é a Motivação. Trata-se do fator íntimo do ser humano que mobiliza as suas ações e os seus comportamentos. É um fator difuso, observável apenas através das ações e dos comportamentos que induziu 1. É exprimível pelo agente em temos de vontade, mas não é verdadeiramente mensurável. A primeira constatação sobre a motivação é que ela só existe no íntimo dos indivíduos. Maslow, citado por Vicente Falconi 2, diz que “motivação é saúde mental”.
Uma segunda constatação básica é que a motivação mais forte, predominante, é pela Sobrevivência. Trata-se de um instinto que os humanos têm em comum com todos os animais. Manifesta-se através do medo diante de ameaças à vida e que induz à fuga. E condiciona à procura por situações em que o risco para a sobrevivência é mínimo. Daí resulta a terceira constatação que se refere ao elevado grau da Segurança numa escala de Motivações; a Segurança segue imediatamente à Sobrevivência.
Desde muito cedo na história da evolução o ser humano percebeu que a sua segurança individual dependia da convivência e da colaboração em grupos. A colaboração implica em trocas num contexto - ambiente - de repartição de tarefas. Cada parte “responde” às mais próximas e à coletividade pela execução adequada das tarefas que lhe cabem na divisão dos trabalhos para o sustento e para a segurança. Cedo se consolidaram percepções de ações e atitudes nocivas ao convívio, os “não deve”. Cabe neste ponto uma quarta constatação: Embora motivada - imposta - pela necessidade da Sobrevivência, a inserção numa comunidade é voluntária; ela deriva de uma decisão da aceitação de incumbências e da observação dos “não deve”, que são as instituições informais e formais 4. Em troca a comunidade oferece um maior grau de segurança. As percepções de Responsabilidade, Liberdade e de Segurança estão estreitamente interligadas 3.
A divisão de tarefas deu origem a atividades especializadas. As trocas deram origem às percepções de valor. O valor foi representado materialmente na moeda, que facilitou tanto a troca, o mercado, como a acumulação do valor. Valor acumulado significa maior segurança, conforto e poder. Todavia, por muito tempo as atividades especializadas não passaram do artesanato e a base da riqueza, do poder e da segurança foi a propriedade da terra. O trabalho na terra era predominantemente executado por escravos e servos. As condições gerais de vida eram de pobreza e ocorriam fases de fome. Esta situação só começou a se transformar com o início da Revolução Industrial na Europa por volta do fim do século XVIII.
Em termos de conhecimentos e de habilidades tecnológicas a Europa – Ocidente – se equiparou à China – Oriente – durante o Renascimento no século XV para na seqüência assumir uma vanguarda. Mas a evolução das instituições na Inglaterra durante o século XVII foi igualmente decisiva para a aceleração do desenvolvimento tecnológico 4. Em 1694, ao fim da Revolução Gloriosa, com a criação do Banco da Inglaterra, formou-se o tripé fundamental para o desenvolvimento do país: o Parlamento, o Tesouro e o Banco. Estava instituída a liberdade do empreendedorismo. Convencionou-se o ano de 1785 como data da invenção da máquina a vapor por James Watt. Trata-se do marco histórico do início da geração de energia com base em combustíveis fósseis e da substituição da força humana e animal nos trabalhos.
Surpreendentemente, a mecanização do trabalho físico multiplicou tanto a produtividade do trabalho e da terra, como multiplicou as oportunidades de trabalho. Ocorreu simultaneamente um aumento dos investimentos em produção, um aumento das rendas e uma redução dos preços dos produtos. O nível de conforto hoje presente nas sociedades denominadas desenvolvidas era inimaginável ainda no início do século XX: Estabeleceram-se sociedades do bem-estar social, “well-fare states”, com tal nível de Segurança que a miséria foi extinta.
A revolução tecnológica modificou também as condições de trabalho e as relações no ambiente de trabalho. E teve também conseqüências fora dos ambientes de produção: Desde meados do século XX a humanidade foi surpreendida pela percepção de que os aumentos de produção – e os aumentos de conforto – põem em risco as condições de sobrevivência das espécies, inclusive da própria humanidade. A Sustentabilidade da vida constitui, portanto, uma nova categoria de Responsabilidade. Como nos situamos no contexto histórico?
Nos próximos dias publicaremos a parte 2. Uma boa semana a todos. Abraços HH.
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Sem comentários »DÍVIDAS NOS PAÍSES DA UNIÃO EUROPÉIA.

O cidadão comum se sente tão desabrigado dos cataclismos econômicos, produzidos pelos seres humanos, com se sente diante de cataclismos naturais como as erupções vulcânicas, os terremotos, os tsunamis e enchentes. Mas com relação aos primeiros o texto de Hudson pode inspirar perguntas como: Primeiro: Por que os cidadãos islandeses teriam contraído dívidas hipotecárias? Teriam sido engabelados pelos distribuidores de “títulos podres” americanos? Segundo: Não ocorre na Europa pós-soviética algo semelhante ao esforço de adaptação econômica da Alemanha Oriental após a reunificação alemã?
O texto de Hudson não é totalmente inteligível por quem não tenha formação economista e financeira, ou seja, pela quase totalidade dos cidadãos. E o autor não chega a lembrar expressamente, que a dívida de Grécia se deve a déficits orçamentários, ou seja, a gastos em consumo superiores às receitas fiscais. Os governos gregos ainda procuraram acobertar a imprevidência com “soluções maracutais” articuladas pelo banco Goldman & Sachs. Portanto, o texto não explica nem que as dívidas são de diferentes naturezas, nem os vícios aos quais o ambiente dos negócios de crédito se tem acostumado.
A Alemanha tem a economia mais forte da Europa, com exportação de 45 a 50 % do PIB e saldo na balança comercial de US$ 221 bi. Mesmo assim acumula uma dívida pública interna bruta de US$ 2,31 tri ou 70 % do PIB, superior ao limite estabelecido no tratado da EU, que é de O déficit fiscal também está acima do valor de referência de 3%. A inflação no nível de 2 % e a taxa de desemprego se situa em 7,5% como resultado de uma experiência inédita para limitar o desemprego na retração econômica. Uma parte considerável da dívida pública foi causada pelo esforço de aproximação das condições de vida nas províncias orientais aos da Bundesrepublik após a reunificação. Outra advém dos benefícios sociais proporcionados. Quando o governo iniciava um programa de equilíbrio fiscal, foi surpreendido pela necessidade de socorrer instituições comprometidas na crise financeira. O serviço da dívida desvia recursos que precisam ser aplicados na educação e na saúde. Por esta razão é perfeitamente compreensível a impopularidade de auxílios financeiros a outros países, seja do leste europeu, seja da comunidade do Euro, pois significariam um aumento da dívida pública. E não se deve perder de vista, que, da mesma forma como os demais países desenvolvidos, também a Alemanha sofre a concorrência por parte da China, da Índia e dos Tigres Asiáticos pela produção, ou seja, pela ocupação.
De qualquer forma é duvidoso que créditos de curto prazo ajudem a resolver os problemas estruturais de baixa produção nos países demasiadamente endividados. Só aumentos de produção – e de receita fiscal – com aumento de exportação poderão levar a uma situação de equilíbrio duradouro. Parece que os alemães são os únicos que conseguiriam organizar trabalho / produção em quantidade significativa nos países da Europa Oriental. Hoje os “Fremdarbeiter” são poloneses, checos etc. Mercedes está montando uma fábrica na Hungria. Siderúrgicas ucranianas estão sendo modernizadas com tecnologia alemã. A Alemanha importa gás natural da Rússia e lhe vende trens. De qualquer forma parece que os alemães ainda mantêm campos de tecnologia mecânica, elétrica e de produção de ponta. Com certeza os espanhóis e portugueses são tão aplicados como os cidadãos de outras sociedades, mas é difícil organizar trabalho bastante para manter um nível de vida comparável ao escandinavo para todos. O turismo – vantagem do clima – ajuda, mas parece eu não se pode viver só de hospedagem, vinho, eventos culturais etc. A Europa terá de recuperar produções que hoje importam da Ásia. Em algumas regiões o crescimento do PIB será naturalmente baixo em função do nível de bem-estar alcançado e do desenvolvimento demográfico. Todavia vale para todas as regiões que o crescimento da dívida coloca em risco as aposentadorias futuras.
Como já foi tangenciado acima, os problemas de produção, renda e bem-estar da Europa, considerada como uma comunidade, estão inseridos numa cena global. Um melhor equilíbrio requer, por exemplo, que os povos africanos venham a produzir mais para eles mesmos. Todavia não foram ainda desenvolvidas concepções de condições econômicas, ambientais e sociais que servissem de orientação para ações direcionadas.
O mesmo pode ser afirmando para a América Latina e, em especial, para o Brasil. No Brasil há minérios e condições comparativamente favoráveis para a agricultura e a pecuária. O aumento da produção é relativamente fácil nesses setores enquanto houver uma demanda global. Há muito espaço para o desenvolvimento de uma indústria verde fundamentada em reflorestamentos. O resgate de contingentes humanos da pobreza significa um considerável potencial de crescimento do mercado interno. Investimentos em produção podem ser conduzidos de forma a não gerar problemas para si e outros.
Superando temores, aconteceu uma acomodação da economia japonesa no âmbito global. Da mesma forma que em regiões da Europa e dos Estados Unidos foi alcançado um nível geral de bem-estar identificável como de “saturação do consumo”. Isto significa, que um desenvolvimento do PIB modesto, relacionado ao desenvolvimento demográfico – a população está se reduzindo – e aos efeitos da racionalização, é plenamente satisfatório. O Japão não é rico em recursos minerais e precisa importar combustíveis e alimentos. Mas conseguiu dominar campos de produção como o de veículos, motocicletas, ótica e eletrônica de consumo e informática. Detém grandes reservas cambiais, sobretudo nos Estados Unidos, que hoje não são sentidas como problema, mas que estão expostas à desvalorização do dólar.
O atual grande enigma do futuro econômico e financeiro global reside no desenvolvimento econômico da China e da Índia ao lado do crescente endividamento dos Estados Unidos com estes países. A China, impulsionada por um temor de revolta social, que poria em risco a integridade nacional, regata da pobreza rural dezenas de milhões de cidadãos por ano. Apresenta uma incrível taxa de poupança de 51% da renda, apesar da renda per capita ainda baixa de US$ 7.200,00, em comparação com o Brasil de US$ 10.300,00. Neste espaço não é possível conjecturar sobre o efeito de subsídios aos custos de vida. De qualquer forma “o Estado coleta esta poupança e dá a ela a destinação prevista na sua política.“2 Uma parte considerável é investida em gigantescos projetos de desenvolvimento: Energia de todas as formas inclusive renovável, construções urbanas, tráfego ferroviário, subsídios a indústrias e educação. “Parte substancial é aplicada em títulos do Tesouro dos Estados Unidos e forma as atuais reservas que hoje são de US$ 2,5 trilhões”2. Parece que é impossível desenvolver o mercado interno no ritmo do desenvolvimento da produção. Esta seria a causa de uma inédita simbiose do desenvolvimento industrial chinês com o mercado consumidor americano, onde contribui tanto para a ausência de inflação como para o desemprego. Não há como prever o tempo em que se poderá manter esta situação de desequilíbrio de dois predominantes sistemas de produção nacionais, e muito menos se as reservas acumuladas, que representam dívidas dos Estados Unidos, algum dia poderão ser resgatadas. Os sindicatos americanos começam a se empenhar pela recuperação de produções, contestando a política cambial da China. Uma grande reserva de novas ocupações oferece a reforma da matriz energética dos Estados Unidos, tornando este país menos dependente de combustíveis fósseis 3.
Nesta rápida apreciação de condicionantes globais da economia não se deparou com nenhum fator de risco particular para a economia européia no futuro imediato. Isto significa que a EU tem espaço para produzir os ajustes de estruturas de produção e das estruturas de bem-estar social, por mais difícil que seja esta missão à primeira vista. De qualquer maneira são totalmente inadequados palpites de inspiração simplista e escapista, vindos da França, de que “os alemães deveriam trabalhar menos e gastar mais para ajudar os seus vizinhos”. Chega-se a uma resposta positiva para a segunda pergunta de um observador descomprometido, acima formulada.
E também não se deparou nesta apreciação de possíveis desenvolvimentos e riscos econômicos nenhum vínculo com a recente crise financeira e econômica. Esta resultou de transgressões de conhecidas “práticas recomendáveis” na concessão de créditos, que foram patrocinadas por um governo, seguidas de artifícios fraudulentos no repasse de títulos e da falta de controle e punição do desrespeito a regras básicas de administração bancária. A tolerância de práticas com conseqüências danosas ao bem-comum público – ocupação, poupanças dilapidadas - resulta de falhas de percepção ética no ambiente dos negócios financeiros e não de supostas “contradições do sistema capitalista”. Aponta nesta direção a primeira das perguntas que estão formuladas acima. Fato é que crises econômicas causadas por desatinos no plano financeiro da economia não são compatíveis com uma imagem de equilíbrio e segurança de uma Economia Sustentável, necessariamente global, que ainda não foi conceituada 4. Recursos públicos foram empregados para reequilibrar balanços bancários, assim restabelecendo um fluxo de créditos, a fim de evitar danos ainda maiores para as sociedades. De outra natureza são as dívidas públicas causadas por despesas excessivas, a exemplo do que ocorreu na Grécia. Procurou-se ocultá-las através de “negócios que não deveriam ser feitos” com o banco Goldman & Sachs.
É impressionante a facilidade com que Hudson trata hipóteses de inflacionamentos como recurso de liquidar dívidas à custa dos credores. A final de contas o calote, qualquer que seja – cancelamento ou inflação – representa uma quebra de contato, que é a traição da confiança sem a qual não haveria um contrato de crédito. Talvez os economistas passassem a perceber a própria irresponsabilidade se fossem desempregados e tivessem as suas economias confiscadas por de uma desvalorização da moeda. Então teriam de trabalhar como camelôs e se alimentar de sanduíches.
Cabe aos especialistas em economia e finanças encontrar regulamentações inibidoras de más práticas financeiras, a exemplo das constatadas, e encaminhar soluções que facilitem as reestruturações de produção, fiscais e sociais no âmbito da EU. De qualquer forma as sociedades da EU deverão enfrentar um caminho de aprendizado para explorarem os espaços de desenvolvimento existentes.
Referências:
1. Hudson, Michael - As guerras européias quanto à dívida que vêm aí – Países da EU afundam na depressão.
http://resistir.info/
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=18545
2. Ming, Celso - O vizinho roubado, em O Estado de S.Paulo, 22.04.2010, pág B2.
3. Brown, Lester R. - Plan B 3.0 Mobilizing to save Civilization, New York, W. W. Norton & Company, 2008.
4. Hellmuth, Harald - Sobre a Contribuição Necessária do Intelectual para a Sustentasbilidade, www.insadi.org.br/blog , 04.2010.
Uma boa semana para todos.
HH
Sem comentários »ENTREVISTA DIETER KELBER JORNAL HOJE TV GLOBO 26.04.2010
Uma boa semana a todos e um grande abraço
Dieter Kelber
Presidente Executivo do INSADI
BALANÇO DE ABERTURA
Por Harald Hellmuth

No ano eleitoral o governo despejará muito dinheiro na economia, que já se desenvolvia positivamente sem este “estímulo” somente porque o país tem uma grande população com grandes contingentes carentes de melhora no padrão de vida e ainda há muito a investir em infra-estrutura física e educacional. A indústria investirá também. Haverá mais trabalho, mais renda e mais consumo. As cotações do açúcar e do álcool estão se recuperando; haverá efeitos positivos na balança comercial. Além disso o salário mínimo foi ajustado generosamente. As pessoas no geral estarão satisfeitas com a situação que muitos atribuirão ao Lula. A agitação em torno do petróleo do pré-sal é mesmo supérflua, caso não seja prejudicial e insustentável no longo prazo. Os eventos desportivos programados sem nenhuma margem de dúvida beneficiarão a economia, principalmente do Rio de Janeiro.
A grande incógnita é a saúde efetiva da democracia. Como a sociedade se livrará da ameaça de uma subversão, de democracia aparente do tipo Chàvista ?
Falta uma revolução da percepção de valores. A conscientização de valores produziría a procura por soluções efetivas e o abandono das aparências e da corrupção. Valorizaria o trabalho, a educação e a capacitação, mas sobretudo a percepção de responsabilidades.
Então a sociedade por via democrática exigiria a terminação da pobreza, seguindo o modelo de urbanização e industrialização praticado na China: Passariam a ser construídas na costa atlântica da região Norte - e Nordeste - concentrações urbanas em torno de indústrias verdes suportadas por extensos projetos de reflorestamento. Salvar-se-iam os biomas da Amazônia, do Cerrado e da Caatinga. Num prazo de dez a quinze anos o Brasil poderia se tornar um sumidouro de gases causadores do efeito estufa. Não é por falta de recursos econômicos, tecnológicos e humanos que tais possibilidades não são abraçadas.
Um Feliz 2010 a todos.
Sem comentários »PROGRAMAÇÃO DE CURSOS, WORKSHOPS E EVENTOS 2010
Veja a Programação de Cursos, Workshops/Oficinas e Eventos do INSADI para o 1. Semestre 2010 em:
http://www.insadi.org.br/EMKT/programacao/index.html .
Envie seus comentários e sugestões para outros programas de cursos e eventos.
Feliz Natal e um Super 2010.
Abraços do INSADI Team.
Sem comentários »Tercerização sem “emoção”.
Por Dieter Kelber, Presidente Executivo do INSADI Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual e criador do conceito Lidestor ®.

Ao mesmo tempo que as corporações absorvem rápida e facilmente filosofias, metodologias e procedimentos como modelo de negócios, planejamento estratégico, BSC, cadeia de valor, SOA, certificações ISO, compliance, SOX etc., continuam a ter grande dificuldade de sair do pensamento tradicional, hierárquico vertical, para uma visão mais abrangente e transparente, com foco centralizado no cliente.
A montanha-russa econômica escancarou as fragilidades das empresas. Projetos de melhoria, reestruturação ou terceirização – tanto de atividades como de processos – não terão êxito se não houver uma transformação cultural na forma de atuação. Esta constatação aplica-se também à terceirização de processos de negócios (BPO, na sigla em inglês), seja ela mais próxima ou mais afastada da cadeia de valor.
De forma míope, alguns gestores optam pelo BPO como um mero instrumento para redução custos e diminuição da preocupação com a gestão das pessoas. Ao agir dessa forma, perde-se uma excelente oportunidade para de fato introduzir nas organizações uma forma diferente de pensar e agir.
Melhorar contínua e sistematicamente os processos de negócios próprios e/ou terceirizados ainda é um desafio. A equipe desenha e mapeia os processos, mas sabe ao certo o que fazer com eles. O BPO deve ter como objetivo a melhoria dos processos envolvidos, não importando serem eles de apoio ou diretamente vinculados à cadeia de valor. Analisar, diagnosticar e redesenhar os processos é etapa fundamental antes do início de um projeto de terceirização de processos de negócios.
O que fazer após o BPO?
Diversas empresas consideram que, uma vez adotado o BPO, terminaram as preocupações com os processos terceirizados. Quando isso ocorre, fica evidente a transformação cultural dentro dessas empresas ainda está longe de começar! Não há mais “como não nos preocuparmos com os processos terceirizados”.
O BPO impacta diretamente na operação e, com a evolução tecnológica a jato e o surgimento de sistemas com recursos cada vez mais avançados, a integração e constante monitoração de todos os processos é uma tendência bastante clara.
Então, ao falar-se em BPM e, consequentemente, BPO, diversos paradigmas devem ser quebrados na forma de enxergar a evolução das empresas. Quando, por exemplo, os temas fusão e aquisição são trazidos à baila, fica bastante claro que as empresas com facilidade em integrar os processos a uma determinada cadeia de valor sofrem menos “traumas”.
A terceirização de processos de negócios é uma ótima oportunidade para que as empresas cresçam com sustentabilidade e antenadas aos objetivos de negócios num todo maior. Pensar em BPO (e em BPM) é pensar horizontal, é romper barreiras e promover a colaboração total. Esta nova forma de pensar exige uma mudança cultura, antes de qualquer iniciativa. As empresas têm falhado, e muito, neste aspecto e, por isso, iniciativas de BPM e de BPO acabam naufragando.
A cultura organizacional adotada, muitas vezes corporativista, acaba sendo um estorvo para as iniciativas mais inovadoras de gestão. Do topo ao chão de fábrica, e vice-versa, a organização precisa aprender a pensar e agir como foco no cliente.
Não existe uma fórmula mágica e única de sucesso. Cada empresa deve construir uma metodologia que busque o cúmulo de todas as ferramentas consagradas de mercado, criando, assim, as condições para a melhor adaptação do mundo funcional para o mundo processual.
Sem comentários »A importância da integração e capacitação pessoal
Por Carol Castro
Há um consenso entre os empresários: motivar a equipe é essencial para a conquista de bons resultados. Durante as exposições desta quinta-feira, 24, no Business Process Day 2009 os congressistas reforçaram a importância da integração e motivação de todos os funcionários, principalmente durante as fases de mudanças nas estratégias da empresa.
Durante toda a década de 90, a SKF do Brasil, fábrica sueca de rolamentos, passou por um período de recessão econômica e falta de competitividade. Uma pesquisa interna constatou que mais de 90% dos funcionários acreditavam que era necessário mudar os rumos da empresa. As mudanças foram calcadas sobre três bases: tecnologia, processos e cultura. “Dedicamos mais atenção à cultura, na busca por pessoas certas. O trabalho tem que deixar as pessoas felizes. O ambiente também conta muito nesse critério”, explica Donizete Santos, presidente da SKF do Brasil.
A empresa apresentou o novo projeto de gestão no início dos anos 2000 e enfatizou a necessidade de profissionais motivados. “Identificamos quem queria e quem acreditava. Tivemos inclusive algumas demissões voluntárias porque as pessoas buscavam outros objetivos”, conta Santos. Para ele, o principal papel do líder é saber motivar sua equipe, usar a emoção para inspirar pessoas.
O Coronel Almir Mendes da Silva, chefe do Escritório de Processos do Centro Integrado de Telemática do Exército (CITEx) compartilha da mesma opinião. Embora a forma de atuação do Exército seja vertical, a gestão é participativa. “Se o sujeito ajuda a construir a parede, ele não vai querer vê-la cair”, assegura o coronel.
Todos os membros do Exército, desde o general até os soldados principiantes, passaram por um processo de capacitação. Participaram de aulas virtuais e presenciais. O coronel acredita que a melhor maneira de executar mudanças é disseminando a informação. “As pessoas têm que participar de tudo. A capacitação ajuda a informar e a amenizar as resistências”, afirma. Para manter a equipe motivada o Exército também oferece bônus quando as metas são atingidas.
Outros executivos, como a superintendente de gestão de processos da Aneel, Anna Flavia Senna, e o gerente de processos e qualidade da Cocamar, Clodimar Viotto, também creditam aos funcionários o sucesso da empresa. Tanto na Aneel quanto na Cocomar, todos os funcionários passaram por processos de capacitação.
No caso da Aneel, a implantação da gestão por processos começou em 2005. Para isso três estratégias foram adotadas: institucionalização (criação de normas e manual), democratização do acesso (com a criação de um sistema interno de notícias, intranet) e a consolidação da cultura (capacitação). “E se você parar por alguns meses, acaba com o projeto todo, por isso é necessário que os funcionários estejam motivados”, conclui Senna.
http://www.b2bmagazine.com.br/web/interna.asp?id_canais=4&id_subcanais=20&id_noticia=24412&pg
Sem comentários »Pessoas: o fator crucial da gestão de processos
Por Thiago Borges - B2B Magazine
(http://www.b2bmagazine.com.br/web/interna.asp?id_canais=4&id_subcanais=2007&id_noticia=24403)
Há alguns anos, apesar do cenário globalizado, sua empresa não promove mudanças estruturais, inova ou tem uma rentabilidade merecedora de elogios. Portanto é hora de mudar, certo? Mas não basta elaborar um plano de mudanças e jogar na mão de quem atua na parte operacional. “Muitas vezes a gente cria processos e atropela as pessoas que estão envolvidas”, aponta Airton Carlini, CEO da consultoria Pritchet Rummler-Brache.
O assunto foi abordado na primeira palestra do Business Process Day, evento promovido pelo Insadi que acontece nestas quarta e quinta-feira (23 e 24/09) em São Paulo.
“Se você simplesmente impor os processos e as pessoas não estarem preparadas, não vai dar certo”, avalia Carlini. E, diante da mudança, sempre haverá resistência da parte de quem já está acostumado com determinada prática.
Isso porque, na análise de Carlini, a princípio elas se sentirão traídas por conta das modificações - afinal, estão há tanto tempo na empresa e conhecem tudo melhor do que ninguém. A segunda reação é negar a mudança. “‘Ih, isso não vai dar certo’, é o que todo mundo diz”, explica Carlini.
Com a mudança em andamento, entram numa crise de identidade e executam o processo antigo e atual ao mesmo tempo por insegurança. No fim, há dois caminhos: entrar no jogo e abraçar o processo ou cair fora.
Durante essa transição de processos, os gestores devem se atentar a três fatores para atingir o sucesso:
- não devem perder tempo com discussões que não vai adicionar nada ao projeto e sim fazer com que resultados, mesmo que pequenos, se tornem visíveis para que haja um convencimento dos demais envolvidos;
- analisar quais são os pontos críticos, em que a empresa pode perder dinheiro e como evitar que isso aconteça;
- e comunicar tudo, para evitar fofocas.
“Quantas vezes gerenciamos um grupo em que as pessoas não sabem o que se quer delas? Como ela vai se comprometer dessa forma? Portanto, sempre que houver uma mudança, pense sempre num plano de comunicação”, conclui Carlini.
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