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GASTAR OU ECONOMIZAR ?

Por Harald Hellmuth

hh - hh
É curiosa e esta questão de economistas. Em geral os políticos pendem mais para os efeitos de
curto prazo dos gastos. Os economistas pouca atenção têm dado para as boas práticas administrativas, que valem também para os bancos.

O Geithner reclamar por maiores gastos corresponde a um interesse da economia americana e a um interesse um tanto perverso de seu ambiente financista. Os europeus embaraçados com as conseqüências de suas imprudências financeiras tentarem induzir os alemães a gastarem mais do que precisam é até patético. Ninguém considera que, tanto no Japão, como em partes da Europa, as necessidades de consumo já estão satisfeitas. E a verdade de endividamento para fim de consumo ser algo bastante
imprudente parece não passar na cabeça de economistas nem de comentadores jornalistas. A situação vigente na época de Keynes era diferente da atual, fato que até o Krugman parece desconsiderar. E, segundo o que entendi, Keynes defendeu a criação de trabalho e renda para superar a crise da depressão,
não o endividamento dos cidadãos para fins de consumo.

Qualquer tirada, por mais duvidoso que seja o conteúdo, ressoa como o cacarejo iniciado por um habitante de aviário, até que se entoe uma outra tirada. Mas até agora ninguém admitiu a hipótese que o exemplo de sensatez da Angela Merkel seja justamente o elemento de liderança que se reclamou dos alemães, que nada
confortável se sentem diante dessa expectativa. De qualquer forma eu duvido muito que o Sarkosy teria arriscado um programa de contenção de despesas sem o exemplo da Merkel. E esta afirmou que não se pode esperar de segundos o que não se pratica por conta própria. Argumentar que a eliminação do déficit
e a redução da dívida não sejam as medidas corretas para prevenir ações de piratas - especuladores financistas - é bastante duvidoso. Na verdade o Sarkosy, tão amigo de proposições espetaculosas, está bastante retraído. O pessoal em Londres gostaria de continuar ganhando na roleta financeira, que aparentemente
gera 30% ou mais do PIB britânico. Aliás: Será que não é este o real motivo dos britânicos não terem aderido ao Euro?

Li que as empresas alemãs têm capacidades de produção espalhadas por toda a Europa. Mas é evidente que não poderão produzir uma equiparação das regiões menos industrializadas da Europa ao nível desenvolvimento econômico da Alemanha, Holanda, Bélgica, Áustria, Escandinávia e parte da Itália. Certo é que o
Euro mais baixo favorecerá igualmente a todos os países da região pela maior facilidade de exportação da Europa e pela tendência de atrair um maior número de turistas. Como será justificado o argumento de que a “prosperidade por empréstimo” - artificial - causava curso do Euro artificialmente alto é tema para especilisatas.
Outra questão a espera de um melhor esclarecimeinto público é o financiamento da absorção pelo Banco Central Europeu de títulos “podres” da dívida dos países em crise fiscal em mãos dos bancos frenceses e alemães .

Agora as estatísticas de ocupação na Alemanha já estão melhorando. O cacarejo sobre um colapso da União Européia vai silenciar. É possível que Merkel sairá consagrada dessa crise, se ela não for antes vitimada por um incidente no ambiente político alemão.

Os americanos poderão melhorar o desempenho de sua economia atravás da transformação de sua matriz energética, começando pela redução da dependência do petróleo. Aparentemente, esta já era uma direção pelo a qual que o presidente Barack Obama queria enveredar e que talvez o incidente do mega-vazamento no
Golfo do México venha a facilitar. Neste caso, os eventuais gastos com subsídios representariam investimentos em estrutura com retorno no longo prazo. Os Estados Unidos precisam voltar a ter uma maior participação de produção própria na economia. O estímulo ao consumo com base em endividamento foi um erro protagonizado pelo governo Clinton, por interesses no prazo imediato. Os juros baixos facilitaram a manobra, o que não sirvam
de argumento de que tenham sido a causa.

Gastar ou economizar? A resposta é: “depende das circunstâncias e da região, por um lado, e da forma e dos objetivos, por outro lado”.

HH

Abraços e uma excelente semana a todos.

Anote na sua agenda, 23 e 24 de setembro, Club Transatlantico, Business Process Day 2010.

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