Arquivo de Junho de 2010
GASTAR OU ECONOMIZAR ?

curto prazo dos gastos. Os economistas pouca atenção têm dado para as boas práticas administrativas, que valem também para os bancos.
O Geithner reclamar por maiores gastos corresponde a um interesse da economia americana e a um interesse um tanto perverso de seu ambiente financista. Os europeus embaraçados com as conseqüências de suas imprudências financeiras tentarem induzir os alemães a gastarem mais do que precisam é até patético. Ninguém considera que, tanto no Japão, como em partes da Europa, as necessidades de consumo já estão satisfeitas. E a verdade de endividamento para fim de consumo ser algo bastante
imprudente parece não passar na cabeça de economistas nem de comentadores jornalistas. A situação vigente na época de Keynes era diferente da atual, fato que até o Krugman parece desconsiderar. E, segundo o que entendi, Keynes defendeu a criação de trabalho e renda para superar a crise da depressão,
não o endividamento dos cidadãos para fins de consumo.
Qualquer tirada, por mais duvidoso que seja o conteúdo, ressoa como o cacarejo iniciado por um habitante de aviário, até que se entoe uma outra tirada. Mas até agora ninguém admitiu a hipótese que o exemplo de sensatez da Angela Merkel seja justamente o elemento de liderança que se reclamou dos alemães, que nada
confortável se sentem diante dessa expectativa. De qualquer forma eu duvido muito que o Sarkosy teria arriscado um programa de contenção de despesas sem o exemplo da Merkel. E esta afirmou que não se pode esperar de segundos o que não se pratica por conta própria. Argumentar que a eliminação do déficit
e a redução da dívida não sejam as medidas corretas para prevenir ações de piratas - especuladores financistas - é bastante duvidoso. Na verdade o Sarkosy, tão amigo de proposições espetaculosas, está bastante retraído. O pessoal em Londres gostaria de continuar ganhando na roleta financeira, que aparentemente
gera 30% ou mais do PIB britânico. Aliás: Será que não é este o real motivo dos britânicos não terem aderido ao Euro?
Li que as empresas alemãs têm capacidades de produção espalhadas por toda a Europa. Mas é evidente que não poderão produzir uma equiparação das regiões menos industrializadas da Europa ao nível desenvolvimento econômico da Alemanha, Holanda, Bélgica, Áustria, Escandinávia e parte da Itália. Certo é que o
Euro mais baixo favorecerá igualmente a todos os países da região pela maior facilidade de exportação da Europa e pela tendência de atrair um maior número de turistas. Como será justificado o argumento de que a “prosperidade por empréstimo” - artificial - causava curso do Euro artificialmente alto é tema para especilisatas.
Outra questão a espera de um melhor esclarecimeinto público é o financiamento da absorção pelo Banco Central Europeu de títulos “podres” da dívida dos países em crise fiscal em mãos dos bancos frenceses e alemães .
Agora as estatísticas de ocupação na Alemanha já estão melhorando. O cacarejo sobre um colapso da União Européia vai silenciar. É possível que Merkel sairá consagrada dessa crise, se ela não for antes vitimada por um incidente no ambiente político alemão.
Os americanos poderão melhorar o desempenho de sua economia atravás da transformação de sua matriz energética, começando pela redução da dependência do petróleo. Aparentemente, esta já era uma direção pelo a qual que o presidente Barack Obama queria enveredar e que talvez o incidente do mega-vazamento no
Golfo do México venha a facilitar. Neste caso, os eventuais gastos com subsídios representariam investimentos em estrutura com retorno no longo prazo. Os Estados Unidos precisam voltar a ter uma maior participação de produção própria na economia. O estímulo ao consumo com base em endividamento foi um erro protagonizado pelo governo Clinton, por interesses no prazo imediato. Os juros baixos facilitaram a manobra, o que não sirvam
de argumento de que tenham sido a causa.
Gastar ou economizar? A resposta é: “depende das circunstâncias e da região, por um lado, e da forma e dos objetivos, por outro lado”.
HH
Abraços e uma excelente semana a todos.
Anote na sua agenda, 23 e 24 de setembro, Club Transatlantico, Business Process Day 2010.

Ambiente Saudável – Metas – Responsabilidade - Parte 2 de 3
PARTE 2 de 3

Ambiente de produção….
Forçosamente, em cada momento o ambiente de produção é espelho do desenvolvimento tecnológico e das circunstâncias sociais. No inicio da industrialização a maioria das tarefas eram rudes, muitas vezes fisicamente penosas, exigiam pouca instrução. As jornadas eram muito longas, chegando a mais de 12 horas. Empregavam-se menores. As condições de vida eram precárias e a expectativa de vida baixa, perto de 50 anos. Contingentes da população despossuída migravam do campo para as cidades ou para o exterior, principalmente os Estados Unidos. Nas sociedades pioneiras na industrialização tais condições de trabalho e de vida melhoraram com o avanço do desenvolvimento tecnológico do qual resultaram novos produtos e uma quantidade maior de oportunidades de trabalho. Configuraram-se instituições defensoras dos interesses coletivos dos assalariados, os sindicatos, que passaram a negociar salários e outras condições com representações dos empresários. Surgiram as instituições estatais de segurança social – aposentadoria, seguro desemprego e seguro de saúde.
Apenas para relembrar, alguns marcos do desenvolvimento tecnológico, importantes para a expansão dos mercados e do consumo que caracteriza a prosperidade, foram a invenção de novos acionamentos térmicos para a motorização de veículos, a exploração e industrialização do petróleo, toda a indústria química inclusive os adubos sintéticos e os materiais sintéticos orgânicos, a eletrificação da iluminação e dos acionamentos de máquinas, as telecomunicações e, mais recentemente, a automatização e a informática. É importante notar que todo este impressionante desenvolvimento ocorreu espontaneamente, isto é, sem imposição ou regulação por um poder estatal num curto prazo histórico de aproximadamente 200 anos.
Se o desenvolvimento das economias foi espontâneo, ele resultou das Motivações dos empreendedores e dos colaboradores nas organizações. Particularmente reveladora é a comparação dos desempenhos depois da Segunda Guerra Mundial da Alemanha Ocidental e do Japão, inseridos num ambiente liberal de mercado - de competição - e democrático, com os desempenhos dos países do hoje extinto bloco soviético com planejamento central e regime autoritário, inclusive da própria Rússia, contrariando as previsões de natureza ideológica.
Durante os últimos 50 a 60 anos as organizações de produção se transformaram radicalmente tanto na configuração dos produtos e serviços, na configuração dos processos de produção, nas estruturas de administração e no perfil dos colaboradores. Além do mais, praticamente todas as empresas de grande porte e mesmo muitas menores hoje operam em diversos países, ou seja, são “globalizadas”. Isto significa que se estabeleceram capacidades de produção em sociedades menos desenvolvidas transferindo capital, conhecimentos e práticas, ou seja, transladando os “ambientes de trabalho” desenvolvidos nos países de origem. As oportunidades de ocupação assim estabelecidas contribuem para o fortalecimento dos mercados internos nos países que passam a ser integrados na produção globalizada.
Para os colaboradores o conjunto dos componentes técnicos, administrativos e operacionais do trabalho representa conhecimento a ser integrado e constantemente atualizado. Para as organizações o empenho pela sobrevivência significa o estabelecimento de estratégias, a configuração de um sistema de gestão que assegure a operação de todas as partes em sintonia com as metas e o cultivo de um ambiente estimulante e inspirador do melhor desempenho possível de todos os colaboradores.
….nos pequenos empreendimentos.
Numa empresa pequena, talvez recem-fundada, o empreendedor está presente junto aos colaboradores, que ele orienta segundo a sua concepção do negócio. A Sobrevivência da empresa, que é o objetivo - Meta - mínimo do empreendedor, é equivalente à conservação do patrimônio investido e resulta do reconhecimento do benefício que os produtos e serviços da empresa encontram na sociedade, no mercado. Por outro lado, o resultado é função direta do desempenho da equipe em termos da quantidade e da qualidade da produção. Além da orientação “técnica” o empreendedor se empenhará no mínimo por um “ambiente de trabalho aceitado”, que permita a continuidade dos padrões da produção. Mas estará bem recomendado se procurar estimular a equipe à apresentação de iniciativas de melhorias do desempenho. Para tanto são necessários espaços de liberdade no ambiente de trabalho, reconhecimento e lealdade recíproca. O estabelecimento e a manutenção do Ambiente de Trabalho estimulante, quer dizer, Saudável e, por conseqüência, motivador é uma arte, que tem como ponto central a pessoa do empreendedor.
….nas organizações complexas.
Pode-se considerar ser evidente o interesse de grandes organizações, não só das empresas, em abrigar ambientes assim caracterizados, ou seja, “Ambientes Saudáveis”, em todas as partes de suas estruturas. Então o estabelecimento de ambientes geradores de motivação deve constar entre as principais Metas da gestão de organizações. Como seria possível aproximar uma Meta difusa como é um “ambiente de alta produtividade”?
Nos grandes empreendimentos o posicionamento estratégico, a disposição dos recursos e a definição de metas são exercidas pela direção. Grandes esforços são empenhados em sistematizar os procedimentos de execução dessas tarefas. Mas mesmo no texto de Michael E. Porter 5, que se tornou uma referência, não consta a dimensão de relacionamento com os colaboradores. Mas é inevitável que o comprometimento fique prejudicado na falta de uma estratégia de sustentação do desempenho. Trata-se do cultivo de uma relação de lealdade entre organização e colaboradores, que, por natureza, precisa ser recíproca para ter consistência. Seria um componente da cultura da organização.
Para a comunicação e o sucessivo detalhamento das Metas e a sua tradução em tarefas de forma sistematizada ao longo das estruturas de gestão consagrou-se o método denominado “Balanced Scorecard”, desenvolvido por Robert S. Kaplan e David P. Norton 6. Na configuração de referência – não obrigatória – são destacados quatro tipos de metas que devem ser realizadas simultaneamente: São metas financeiras, metas de mercado incluindo inovações, metas de racionalização - de melhorias de produtividade incluindo mudanças de processos - e metas de capacitação dos colaboradores. Mas o conhecimento das metas por si só não garante a sua compreensão e a integração nas posturas. Cabe aos responsáveis pelas equipes e realizações em todos os níveis traduzir aos colaboradores o significado da realização das metas para o fortalecimento competitivo do empreendimento no mercado e para a Segurança da renda, que não são tão diretamente perceptíveis pelos participantes em grandes estruturas. Dessa forma os responsáveis estariam desempenhando o papel dos empresários nas pequenas empresas, como foi resumido acima. O próprio método BSC facilita a transmissão de uma visão de conjunto da cena 7. E, quando se abre um espaço de Liberdade para o diálogo sobre as Metas e para proposições e iniciativas para explorar oportunidades, se possibilita a vivência da participação na solução dos problemas relativos à realização das Metas. Nascem daí percepções de Responsabilidade semelhantes às do empreendedor. Portanto, é possível constatar, que o Ambiente Saudável no trabalho resulta da atitude empreendedora e da qualidade da comunicação em toda a estrutura de gestão.
Fica assim caracterizado que o Ambiente Saudável, caracterizado por alta produtividade, resulta da prática do trabalho diário com a Responsabilidade de realizar Metas por cada um. A sobrevivência das organizações depende da percepção e do desempenho da Responsabilidade.
Fica assim caracterizado que o estabelecimento e a conservação de um Ambiente Saudável precisa se cultivado pela gestão ao lado da execução adequada do procedimento para a integração de Metas 1,2,6. São estes os aspectos que fundamentam possibilidades para respostas positivas para as questões no início dessas considerações.
Referências.
1. Falconi, Vicente
Gerenciamento da Rotina do Trabalho do Dia-a-Dia, 8a edição, INDG Tecnologia e Serviços Ltda, Nova Lima, 2004.
2. Falconi, Vicente
O Verdadeiro Poder, INDG Tecnologia e Serviços Ltda, Nova Lima, 2009.
3. Marías, Julián
Liberdade e Responsabilidade.
www.hottopos.com/harvard2/liberdade_e_responsabilidade.htm
4 North, Douglass C.
Institutions, Institutional Change and Economic Performance, Cambridge University Press, 22a edição, New York, 2006.
5. Porter, Michael E.
Competitive Strategy, The Free Press, New York, 1980.
6. Kaplan, R. S / Norton, D. P
A Estratégia em Ação – Balanced Scorecard, Editora Campus Ltda., 16a Edição, Rio de Janeiro, 1997.
7. Hellmuth, Harald
BSC – Sustentabilidade – Comunicação: Exemplo na Gestão de Condomínio www.insadi.org.br/blog
Um bom fim de semana a todos.
Abraços
HH
Ambiente Saudável – Metas – Responsabilidade - Parte 1 de 3
PARTE 1 de 3

Introdução.
Assuntos relacionados ao desempenho de profissionais ocupam largos espaços nas prateleiras de livrarias, em páginas de jornal e revistas e entre os anúncios de serviços de consultoria. Até que ponto este volume de manifestações se justifica? Como avaliar quais despesas com consultoria compensam?
Nestas considerações procura-se por uma resposta simples, cujo conhecimento possa ser útil na prática para todos os interessados. Para alcançar este objetivo é preciso partir de uma base incontestável e testar a conformidade do resultado com as teorias, que já se demonstraram consistentes. Eventualmente se conseguirá demonstrar possibilidades de aperfeiçoamento nas práticas e apontar evoluções necessárias para o posicionamento em relação a problemas vivenciados.
Por isso o texto está dividido em três partes: Uma fundamentação em constatações genéricas, a aplicação das constatações a ambientes de produção atuais com o posicionamento em relação às questões levantadas e uma verificação da consistência com conhecimentos consagrados.
Constatações genéricas.
O conceito central dessa reflexão é a Motivação. Trata-se do fator íntimo do ser humano que mobiliza as suas ações e os seus comportamentos. É um fator difuso, observável apenas através das ações e dos comportamentos que induziu 1. É exprimível pelo agente em temos de vontade, mas não é verdadeiramente mensurável. A primeira constatação sobre a motivação é que ela só existe no íntimo dos indivíduos. Maslow, citado por Vicente Falconi 2, diz que “motivação é saúde mental”.
Uma segunda constatação básica é que a motivação mais forte, predominante, é pela Sobrevivência. Trata-se de um instinto que os humanos têm em comum com todos os animais. Manifesta-se através do medo diante de ameaças à vida e que induz à fuga. E condiciona à procura por situações em que o risco para a sobrevivência é mínimo. Daí resulta a terceira constatação que se refere ao elevado grau da Segurança numa escala de Motivações; a Segurança segue imediatamente à Sobrevivência.
Desde muito cedo na história da evolução o ser humano percebeu que a sua segurança individual dependia da convivência e da colaboração em grupos. A colaboração implica em trocas num contexto - ambiente - de repartição de tarefas. Cada parte “responde” às mais próximas e à coletividade pela execução adequada das tarefas que lhe cabem na divisão dos trabalhos para o sustento e para a segurança. Cedo se consolidaram percepções de ações e atitudes nocivas ao convívio, os “não deve”. Cabe neste ponto uma quarta constatação: Embora motivada - imposta - pela necessidade da Sobrevivência, a inserção numa comunidade é voluntária; ela deriva de uma decisão da aceitação de incumbências e da observação dos “não deve”, que são as instituições informais e formais 4. Em troca a comunidade oferece um maior grau de segurança. As percepções de Responsabilidade, Liberdade e de Segurança estão estreitamente interligadas 3.
A divisão de tarefas deu origem a atividades especializadas. As trocas deram origem às percepções de valor. O valor foi representado materialmente na moeda, que facilitou tanto a troca, o mercado, como a acumulação do valor. Valor acumulado significa maior segurança, conforto e poder. Todavia, por muito tempo as atividades especializadas não passaram do artesanato e a base da riqueza, do poder e da segurança foi a propriedade da terra. O trabalho na terra era predominantemente executado por escravos e servos. As condições gerais de vida eram de pobreza e ocorriam fases de fome. Esta situação só começou a se transformar com o início da Revolução Industrial na Europa por volta do fim do século XVIII.
Em termos de conhecimentos e de habilidades tecnológicas a Europa – Ocidente – se equiparou à China – Oriente – durante o Renascimento no século XV para na seqüência assumir uma vanguarda. Mas a evolução das instituições na Inglaterra durante o século XVII foi igualmente decisiva para a aceleração do desenvolvimento tecnológico 4. Em 1694, ao fim da Revolução Gloriosa, com a criação do Banco da Inglaterra, formou-se o tripé fundamental para o desenvolvimento do país: o Parlamento, o Tesouro e o Banco. Estava instituída a liberdade do empreendedorismo. Convencionou-se o ano de 1785 como data da invenção da máquina a vapor por James Watt. Trata-se do marco histórico do início da geração de energia com base em combustíveis fósseis e da substituição da força humana e animal nos trabalhos.
Surpreendentemente, a mecanização do trabalho físico multiplicou tanto a produtividade do trabalho e da terra, como multiplicou as oportunidades de trabalho. Ocorreu simultaneamente um aumento dos investimentos em produção, um aumento das rendas e uma redução dos preços dos produtos. O nível de conforto hoje presente nas sociedades denominadas desenvolvidas era inimaginável ainda no início do século XX: Estabeleceram-se sociedades do bem-estar social, “well-fare states”, com tal nível de Segurança que a miséria foi extinta.
A revolução tecnológica modificou também as condições de trabalho e as relações no ambiente de trabalho. E teve também conseqüências fora dos ambientes de produção: Desde meados do século XX a humanidade foi surpreendida pela percepção de que os aumentos de produção – e os aumentos de conforto – põem em risco as condições de sobrevivência das espécies, inclusive da própria humanidade. A Sustentabilidade da vida constitui, portanto, uma nova categoria de Responsabilidade. Como nos situamos no contexto histórico?
Nos próximos dias publicaremos a parte 2. Uma boa semana a todos. Abraços HH.
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