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Direita? < > Esquerda? - Esta diferenciação ainda é válida?

Por Harald Hellmuth

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O país com a maior velocidade de desenvolvimento econômico, que mais cidadãos resgata da pobreza e que maiores esforços empenha na redução de emissões de gases causadores do efeito estufa é a China. O regime de governo da China é de partido único; portanto não é uma democracia. Mas tem se demonstrado pragmático, podendo servir de exemplo – benchmark – sob múltilos aspectos, como atesta acima a primeira constatação. Ouvi no lançamento do livro “Relembrando o que Escrevi – Da Reconquista da Democracia aos Desafios Globais” do próprio autor Fernando Henrique Cardoso, que um líder do governo chinês afirmou temer um regime em que se pudesse eleger um personagem despreparado, que assumiria a posição de maior poder no Estado, embora por tempo limitado, como ocorre numa democracia. Ele se referia aos Estados Unidos da América; no sistema chinês prevalece a meritocracia no âmbito do partido único e no Governo. Fernando Henrique comentou que o problema apontado é real e que merece um intensivo esforço de reflexão.

Em outro momento Fernando Henrique observou que no Brasil o termo liberal é utilizado como predicado de “coisa ruim” e até como insulto, no que ele identifica um tremendo equívoco, pois não existiria democracia sem liberalismo. Ele não chegou a lembrar que a economia liberal de mercado e a democracia são expressões indissociáveis do liberalismo, nascido na Inglaterra no século XVII. Aliás, os intelectuais presentes não fizeram sequer uma observação de natureza econômica. Este fato é bastante curioso, pois os intelectuais – três sociólogos e um filósofo - eram unânimes na sua posição “de esquerda”, sem definir o que seria “de direita”. Sabe-se que o pensamento “de esquerda” fundamenta em Marx e Rousseau, e se expressa numa ideologia de conflito de classes. Por sinal, desconheço uma ideologia social contrária “de direita”, ou seja, capitalista. O conflito por melhores salários e condições de vida em geral entre os sindicatos – “de esquerda” - e as empresas / os empresários – “de direita” - é de natureza econômica; resultou num aumento de renda, consumo, produtividade, redução dos custos e ascensão do proletariado à classe média. Este desenvolvimento ocorreu em sociedades democráticas, quer dizer, liberais.

Consta na reportagem da revista VEJA (edição 2159, pág. 120) sobre o lançamento do livro: “Em 1996, já na Presidência da República, declarou ao jornal francês Le Monde: “Ser de esquerda, para mim, é compreender a situação objetiva e fazer as transformações necessárias para permitir que os valores do humanismo, da democracia e da justiça social possam triunfar. Nesse sentido, sou verdadeiramente de esquerda”. O.k. Nesse sentido, somos todos de esquerda, presidente.” De fato, todos empresários o são. Acontece, que nem na China se consegue oferecer condições de vida mínimas desejáveis a todo o contingente de pobres num curto espaço de tempo.

E também não ideológicas foram as medidas que fundamentaram o desenvolvimento econômico e social do Brasil desde o primeiro governo de Fernando Henrique: A estabilidade do poder de compra da moeda, a responsabilidade fiscal, a desestatização da produção, a abertura da economia a reorganização do Estado. Trata-se de medidas de gestão econômica e administrativa que foram implantadas sob um regime de governo democrático, que, por natureza, repousa em percepção liberal.

Os exemplos da China e do Brasil demonstram que o desenvolvimento econômico, social e ambiental é uma questão da gestão independente de credos e ideologias. A oposição de esquerdas e direitas é vazia de sentido. Talvez somente agora esta percepção se tornasse possível.

HH

Uma boa Páscoa para todos !



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