Direita? < > Esquerda? - Esta diferenciação ainda é válida?
Por Harald Hellmuth

Em outro momento Fernando Henrique observou que no Brasil o termo liberal é utilizado como predicado de “coisa ruim” e até como insulto, no que ele identifica um tremendo equívoco, pois não existiria democracia sem liberalismo. Ele não chegou a lembrar que a economia liberal de mercado e a democracia são expressões indissociáveis do liberalismo, nascido na Inglaterra no século XVII. Aliás, os intelectuais presentes não fizeram sequer uma observação de natureza econômica. Este fato é bastante curioso, pois os intelectuais – três sociólogos e um filósofo - eram unânimes na sua posição “de esquerda”, sem definir o que seria “de direita”. Sabe-se que o pensamento “de esquerda” fundamenta em Marx e Rousseau, e se expressa numa ideologia de conflito de classes. Por sinal, desconheço uma ideologia social contrária “de direita”, ou seja, capitalista. O conflito por melhores salários e condições de vida em geral entre os sindicatos – “de esquerda” - e as empresas / os empresários – “de direita” - é de natureza econômica; resultou num aumento de renda, consumo, produtividade, redução dos custos e ascensão do proletariado à classe média. Este desenvolvimento ocorreu em sociedades democráticas, quer dizer, liberais.
Consta na reportagem da revista VEJA (edição 2159, pág. 120) sobre o lançamento do livro: “Em 1996, já na Presidência da República, declarou ao jornal francês Le Monde: “Ser de esquerda, para mim, é compreender a situação objetiva e fazer as transformações necessárias para permitir que os valores do humanismo, da democracia e da justiça social possam triunfar. Nesse sentido, sou verdadeiramente de esquerda”. O.k. Nesse sentido, somos todos de esquerda, presidente.” De fato, todos empresários o são. Acontece, que nem na China se consegue oferecer condições de vida mínimas desejáveis a todo o contingente de pobres num curto espaço de tempo.
E também não ideológicas foram as medidas que fundamentaram o desenvolvimento econômico e social do Brasil desde o primeiro governo de Fernando Henrique: A estabilidade do poder de compra da moeda, a responsabilidade fiscal, a desestatização da produção, a abertura da economia a reorganização do Estado. Trata-se de medidas de gestão econômica e administrativa que foram implantadas sob um regime de governo democrático, que, por natureza, repousa em percepção liberal.
Os exemplos da China e do Brasil demonstram que o desenvolvimento econômico, social e ambiental é uma questão da gestão independente de credos e ideologias. A oposição de esquerdas e direitas é vazia de sentido. Talvez somente agora esta percepção se tornasse possível.
HH
Uma boa Páscoa para todos !
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