Sobre a Tentação da Regulação do Câmbio: Economia clássica e Sustentabilidade Social.
Por Harald Hellmuth

Hoje para a China, e para a humanidade, o resgate de seus cidadãos da pobreza deve ter prioridade sobre o equilíbrio das balanças comerciais. Todavia, a China exportando enormes volumes de produtos simples e baratos - exemplo: sapatos - exporta também “desemprego”. Barreiras alfandegárias e o combate ao contrabando são medidas cabíveis para combater este efeito. Entretanto, para diminuir o desemprego, os Estados Unidos, e outros países, precisam, antes de tudo, reintegrar produções que “terceirizaram” e se empenhar na transformação da matriz energética. Pode ser que então a fabulosa velocidade de urbanização na China reduza um pouco.
É simples assim, mas certamente não é tudo. De qualquer forma, o restabelecimento de um melhor equilíbrio nos balanços comerciais não requer instituições internacionais de regulação, que são impotentes diante das políticas soberas dos países.
Focalizando o Brasil, pode-se completar observando que: O resgate da pobreza protagonizado pela China é sustentável, pois não se baseia em filantropia nem em incentivo artificial do consumo. Diante deste modelo, no Brasil se faria melhor se a população pobre habitante das florestas, da caatinga e do cerrado fosse atraída para cidades industriais, mesmo alguma nova, na costa das regiões Norte e Nordeste, com indústrias verdes supridas por grandes projetos de reflorestamento. Os projetos de reflorestamento também ocupariam um numeroso contingente de “famílias de assentados”. O desenvolvimento da geração eólica e da geração com biomassa, com produção nacional dos equipamentos, ao mesmo tempo em que também criaria ocupação de alta produtividade, solucionaria o problema da segurança do suprimento de energia de forma sustentável, sem agressões à natureza.
Desta forma, dando prioridade ao resgate dos contingentes de pobres o Brasil estaria prestando uma contribuição realmente significativa de alcance global para a redução das emissões de gases de efeito estufa e, por conseqüência, para a limitação do aquecimento do clima.
Até meados do século XX os pensadores da disciplina economia não tinham motivos para considerar os problemas atuais acima citados referentes à Sustentabilidade Social e Ambiental. Mas continua válido que o país que manipular o câmbio perderá um indicador importante de seu desempenho no mercado externo.
No momento atual não tem muita utilidade conjecturar sobre uma situação futura quando a prosperidade da sociedade chinesa - e da indiana e de mais outras - tiver alcançado um nível desejável e o seu mercado interno puder absorver uma maior porção da produção. Até então as demais sociedades impactadas pelas práticas políticas de manipulação do câmbio precisam se defender com recursos práticos de efeito imediato, a exemplo das medidas citadas, e fazer os seus deveres de casa referentes à Sustentabilidade Social e à Sustentabilidade Ambiental.
Abraços e uma boa semana a todos.
HH
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