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FACETAS DA EDUCAÇÃO

Por Harald Hellmuth

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O assunto educação me faz lembrar uma metáfora de Ortega: De um brilhante só podemos ver sem deformação uma faceta de cada vez, outras estarão sempre deformadas e a maioria não está nem sequer visível. Educação é um assunto sempre atual e sempre desconcertante. Educação e sistemas de educação não saem da “ordem do dia”, da agenda da discussão pública.

A faceta mais fácil de perceber é o da alfabetização. Um cidadão analfabeto, com raras exceções está condenado a um tipo velado de escravidão. Não terá aptidões para um trabalho que lhe propicie uma vida com bom nível de conforto. A revolução industrial e o estado correspondente exigiram a alfabetização. Mas a capacidade de ler e escrever só já não são suficientes para o progresso individual e familiar. Por isso insisto que os funcionários do condomínio terminem o segundo grau: Quando eu fui síndico consegui motivar dois, apoiando um com uma bolsa; agora conseguimos mobilizar um terceiro. Há os casos de reticência por conta de falta de auto-confiança. A rigor já temos nesta primeira abordagem mais de uma faceta. Faz pouco tempo concordei com uma senhora participante do âmbito mais extenso da família quando ele afirmou, referindo-se aos filhos casados, que a educação nunca termina. A família evidentemente é uma faceta da educação com ligações a muitas outras, inclusive a da educação - ou liderança - pelo exemplo.

Qual é o objetivo da educação? Trata-se de uma questão milenar. Envolve capacitação e comportamento. Não faltaram as tentativas de bitolar os comportamentos, supostamente para garantir a coesão da sociedade. Religiões serviram para este objetivo; o ser invisível que tudo vê e castiga foi uma invenção genial. Durante centenas de gerações cabeças lumimosas e outras torturadas se esforçaram paro “comprovar” a sua existência. Alguma culturas se fundamentaram em preceitos da experiência de comportamentos necessários percebidos por cidadãos clarividentes: Os filósofos gregos e Confúcio são exemplos. Felipe contratou Aristóteles para educar Alexandre, pagando com a libertação da cidade natal do mestre.

Educação sempre teve valor e preço. E também resultados: Alexandre construiu a biblioteca de Alexandria, mais tarde queimada por ordem de cristãos romanos. Conhecimento no domínio do povo, ou de externos a círculos de poder, de longa data foi considerado perigoso. O enciclopedista Diderot também foi reprimido. Mas o ser humano sempre continua guloso por uma “mordida na maçã do conhecimento”, como expressa uma das metáforas fundadoras da cultura ocidental………e sempre que morde se percebe depois mais perturbado ainda. Freud andou redescobrindo o que a mitologia grega já expressava, dando se conta a sua educação….modelar da burguesia culta de sua época….era a causadora de histeria. Galileu, Copérnico, Darwin e Newton são exemplos do aprendizado pelo próprio cidadão através da observação ingênua. De certa forma os citados se auto-educaram. Eu disse aos meus filhos que eles têm o caminho da continuação de sua educação em suas próprias mãos. Parece contradizer algumas observações anteriores; fato é que um brilhante tem faces opostas, necessárias para compor o brilhante.

A pergunta sobre os objetivos da educação não está respondida com clareza ainda. Uma resposta parcial está na capacitação para a continuação da própria educação, num processo de aperfeiçoamento contínuo. Como a capacitação é fundamentada em conhecimento, a acumulação de conhecimentos é uma parte indispensável do processo de educação….que em princípio não tem fim. Habilidades e treinamento perfazem uma outra parte. Sem esta componente não há desempenho. Isto vale tanto na área militar, como nos esportes e na produção. De longa data sabe-se que o desempenho resulta da composição de capacitação com comportamento; a própria capacitação é função de comportamento. Por esta razão características comportamentais estão presentes nos programas de ‘treinamento” das organizações. Os comportamentos se referem à percepção da validade das ações, respondem à questão “Como?” e envolvem dever e as instituições - os “não pode” - informais e formais. E para que toda esta trama serve? Se destina à sobrevivência do cidadão, das organizações, da sociedade e, segundo a percepção mais recente, da humanidade, através do esforço de sobrevivência de cada um.

Esta resposta corresponde a uma visão liberal da condição humana, que dá crédito ao cidadão por procurar
por contribuições construtivas reconhecendo a recíproca dependência no contexto em que vive, ou seja, de que o cidadão age percebendo Responsabilidade. A visão oposta à visão liberal é a visão dogmática. A experiência histórica tem demonstrado que resulta em desempenhos inferiores, quando não tem conseqüências catastróficas.



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