Arquivo de Fevereiro de 2010
Desequilíbirio econômico na zona do Euro (e do Dólar).
Por Harald Hellmuth

Tornou-se uma prática discutir economia a partir das finanças, o que parce ser um vício que não tem condições de produzir corretivos. A prosperidade que emergiu na Europa e no Japão, e depois nos Tigres Asiáticos, resultou do trabalho. Não faz sentido apontar “fartura de crédito” como origem ou causa. De fato as populações dessas regiões são poupadoras. As possibilidade do crédito nascem da poupança.
A política da defeza social não é sustentável se recorrer a endividamento público. Financiar projetos de investimento faz sentido, porque desenvolvem a economia. Financiamento de consumo não tem retorno; significa viver às custas do futuro. A tentativa de impulsionar a economia através de créditos para o consumo levou ao despropósito das “hipotecas sub-prime”, uma flagrante transgressão das boas práticas consagradas da administração do crédito, promovida pelo governo -
inicialmente o de Clinton - e sustentada pelo FED.
Ainda falta um promotor para acusar a fraude e o gangsterismo. Eu
acredito que esta ocorrência seja a melhor prova da decadência da produção e da economia causada pela exportação dos empregos: O governo não percebeu oportunidades de estimular a economia por aumento da produção.
De fato não é previsível como as economias nacionais chegarão a um equilíbrio. Uma das condições apontáveis é o desenvolvimento dos mercados internos da China e da Índia. No Brasil tenho dúvidas: As proporções são bem menores.
As minhas dúvidas se referem à motivação de contingentes não pequenos da população de se empenharem por melhorar de vida através de trabalho disciplinado, contínuo e de maior produtividade. Para os demais habitantes o problema é menos virulento, pois não existiu ainda um sistema de proteção social de welfare state, por sinal a ser financiado pelo trabalho. Penso que na Europa e nos Estados Unidos alguns excessos de conforto não se sustentarão e que será preciso retomar produções expatriadas.
De qualquer forma a conversão das matrizes energéticas e as tecnologias verdes podem servir para uma ativação do trabalho e das rendas nacionais. Quando as matrizes energéticas se tornarem
menos dependentes - ou mesmo independentes - do petróleo, os países desenvolvidos estarão libertados de uma considerável carga de importação, e os países fornecedores terão perdido os mercados.
Espero que este texto estimule a discussão do desenvolvimento econômico e social a partir do trabalho - da ocupação e da produtividade - e não a partir do crédito, das finanças.
Abraços
HH
1 comentário »FACETAS DA EDUCAÇÃO

A faceta mais fácil de perceber é o da alfabetização. Um cidadão analfabeto, com raras exceções está condenado a um tipo velado de escravidão. Não terá aptidões para um trabalho que lhe propicie uma vida com bom nível de conforto. A revolução industrial e o estado correspondente exigiram a alfabetização. Mas a capacidade de ler e escrever só já não são suficientes para o progresso individual e familiar. Por isso insisto que os funcionários do condomínio terminem o segundo grau: Quando eu fui síndico consegui motivar dois, apoiando um com uma bolsa; agora conseguimos mobilizar um terceiro. Há os casos de reticência por conta de falta de auto-confiança. A rigor já temos nesta primeira abordagem mais de uma faceta. Faz pouco tempo concordei com uma senhora participante do âmbito mais extenso da família quando ele afirmou, referindo-se aos filhos casados, que a educação nunca termina. A família evidentemente é uma faceta da educação com ligações a muitas outras, inclusive a da educação - ou liderança - pelo exemplo.
Qual é o objetivo da educação? Trata-se de uma questão milenar. Envolve capacitação e comportamento. Não faltaram as tentativas de bitolar os comportamentos, supostamente para garantir a coesão da sociedade. Religiões serviram para este objetivo; o ser invisível que tudo vê e castiga foi uma invenção genial. Durante centenas de gerações cabeças lumimosas e outras torturadas se esforçaram paro “comprovar” a sua existência. Alguma culturas se fundamentaram em preceitos da experiência de comportamentos necessários percebidos por cidadãos clarividentes: Os filósofos gregos e Confúcio são exemplos. Felipe contratou Aristóteles para educar Alexandre, pagando com a libertação da cidade natal do mestre.
Educação sempre teve valor e preço. E também resultados: Alexandre construiu a biblioteca de Alexandria, mais tarde queimada por ordem de cristãos romanos. Conhecimento no domínio do povo, ou de externos a círculos de poder, de longa data foi considerado perigoso. O enciclopedista Diderot também foi reprimido. Mas o ser humano sempre continua guloso por uma “mordida na maçã do conhecimento”, como expressa uma das metáforas fundadoras da cultura ocidental………e sempre que morde se percebe depois mais perturbado ainda. Freud andou redescobrindo o que a mitologia grega já expressava, dando se conta a sua educação….modelar da burguesia culta de sua época….era a causadora de histeria. Galileu, Copérnico, Darwin e Newton são exemplos do aprendizado pelo próprio cidadão através da observação ingênua. De certa forma os citados se auto-educaram. Eu disse aos meus filhos que eles têm o caminho da continuação de sua educação em suas próprias mãos. Parece contradizer algumas observações anteriores; fato é que um brilhante tem faces opostas, necessárias para compor o brilhante.
A pergunta sobre os objetivos da educação não está respondida com clareza ainda. Uma resposta parcial está na capacitação para a continuação da própria educação, num processo de aperfeiçoamento contínuo. Como a capacitação é fundamentada em conhecimento, a acumulação de conhecimentos é uma parte indispensável do processo de educação….que em princípio não tem fim. Habilidades e treinamento perfazem uma outra parte. Sem esta componente não há desempenho. Isto vale tanto na área militar, como nos esportes e na produção. De longa data sabe-se que o desempenho resulta da composição de capacitação com comportamento; a própria capacitação é função de comportamento. Por esta razão características comportamentais estão presentes nos programas de ‘treinamento” das organizações. Os comportamentos se referem à percepção da validade das ações, respondem à questão “Como?” e envolvem dever e as instituições - os “não pode” - informais e formais. E para que toda esta trama serve? Se destina à sobrevivência do cidadão, das organizações, da sociedade e, segundo a percepção mais recente, da humanidade, através do esforço de sobrevivência de cada um.
Esta resposta corresponde a uma visão liberal da condição humana, que dá crédito ao cidadão por procurar
por contribuições construtivas reconhecendo a recíproca dependência no contexto em que vive, ou seja, de que o cidadão age percebendo Responsabilidade. A visão oposta à visão liberal é a visão dogmática. A experiência histórica tem demonstrado que resulta em desempenhos inferiores, quando não tem conseqüências catastróficas.
POLÍTICA ENERGÉTICA

Entende-se que numa Situação Sustentável a economia seria obrigatoriamente Verde. No ambiente global entende-se também, que Economia Verde e eliminação da dependência dos combustíveis fósseis são “sinônimos” para uma mesma meta. E entende-se ainda, que a mitigação dos riscos climáticos é uma meta por natureza global. Assim sendo o mesmo se aplica à meta da Economia Verde e a seu sinônimo da redução drástica do consumo de combustíveis fósseis.
Em grande parte os recursos tecnológicos e financeiros para uma Política Energética Verde existem. Pode-se afirmar, que a indústria dos transportes ainda resiste à passagem aos acionamentos híbridos e elétricos para veículos com peso reduzido. Espera-se também por uma forte evolução na tecnologia dos biocombustíveis. Existem grandes espaços para a redução do consumo, tanto na área predial como no aumento da eficiência energética, ou seja na redução do insumo de energia por unidade de produção. Estes efeitos seriam produzidos de forma “difusa” na sociedade e com tanto maior volume e prontidão quanto melhor forem incentivados por iniciativas governamentais de incentivos fiscais e de financiamentos, além de normatizações.
Com esta reestruturação as sociedades desenvolvidas conseguiriam manter a ocupação, talvez elevar o PIB, com simultânea redução do consumo de energia. São noticiados potenciais de redução de consumo entre 20 e 40% nas sociedades desenvolvidas, com correspondente redução da queima de carvão, gás e petróleo. Desta forma acelerariam a participação das energias limpas nas suas matrizes energéticas na medida em que investem na geração eólica e solar, além da geração com bio-massa. Nesta abordagem resumida não se descarta a aplicação de geração nuclear, mas a reserva para casos excepcionais.
Sem margem de dúvida a grande surpresa no contexto da geração de energia é o desenvolvimento alcançado no aproveitamento da energia dos ventos. As potências unitárias e as eficiências aumentaram a ponto de possibilitar a execução de grandes projetos com preços da energia comparável com a energia produzida com carvão e gás natural. Adicionalmente, o preço é previsível, porque independe dos preços de commodities e do câmbio, o prazo de implantação é curto - de um ano -, fator importante para a rentabilidade dos investimentos, e a geração não compete com o uso da terra e da água. Importante também é que não causa interferências em florestas. Além das vantagens econômicas e ambientais ainda cria ocupação local. Na Dinamarca, que liderou o desenvolvimento tecnológico, 20% da energia consumida é de origem eólica tendo-se explorado não mais de 20% do potencial. Em dias com fortes ventos toda a energia consumida na Dinamarca é gerada por suas 5.000 turbinas. Lester Brown afirma, em Plan B3.0, que toda a energia consumida nos Estados Unidos poderia ser captada dos ventos, inclusive a que alimentaria os veículos com acionamento híbrido e elétrico.
As empresas européias fabricantes de turbinas eólicas estão instalando fábricas nos Estados Unidos para explorar este mercado. A reformulação da matriz energética exige também uma nova estrutura do sistema de transmissão e de distribuição, com grandes demandas de mão-de-obra.
Além de resolver o problema da poluição atmosférica a energia eólica, em conjunto com a energia solar, tornariam os Estados Unidos independentes da importação de petróleo. Todavia, no momento o líder no investimento em energia limpa é a China, tanto na energia eólica, como na energia solar e na energia nuclear, mesmo ainda aumentando a queima de carvão.
Na China já existiam mais de um milhão de empregos nos setores de energias renováveis, com acréscimos de 100.000 por ano. A China, confrontada com uma massa de população pobre e tendo um governo autoritário decidido de resgatar centenas de milhões de seus habitantes da pobreza, é benchmark no desenvolvimento econômico e social, mas também no desenvolvimento ambiental. A eficiência energética da economia chinesa tem feito surpreendentes progressos, embora partindo de uma base muito baixa. Pode-se afirmar que a China executa um Projeto para o Desenvolvimento Sustentável.
Observa-se que não existe o problema da transferência de tecnologia tão presente nos discursos. Como está o Brasil nesta cena? Não há dúvida a respeito de que no mínimo 20% da energia consumida poderia ser economizada, mas não existe ação do governo neste sentido. Esta economia corresponderia a cerca de 30% da potência instalada. Não haveria, portanto urgência na instalação de novas capacidades de geração, caso se incentivasse a redução do consumo. A indústria por razões de competitividade acompanhará os esforços internacionais de melhoria da eficiência energética. O mesmo pode ser previsto para a evolução dos transportes.
É quase inacreditável que não exista uma política de incentivo à geração térmica com bagaço de cana, tendo em vista que o potencial é avaliado em 14.000 MW, o sua exploração dispensaria linhas de transmissão extensas e o aumento da renda das usinas beneficiaria a competitividade do açúcar e do etanol, além de ser energia verde. Ainda mais absurda é a desatenção à exploração do potencial de energia eólica, estimado em 140.000 MW, mais que toda a potência instalada, principalmente no Nordeste, sabidamente carente de energia. O custo resultante do primeiro leilão está no nível praticado para pequenas centrais hidrelétricas, cairá com escala da produção nacional dos equipamentos e não precisará incorporar o da transmissão devido à proximidade aos consumidores.
A determinação do governo de instalar usinas hidrelétricas na Amazônia baseia numa percepção superada, que só se mantém devido à desatenção da sociedade. Não há como negar que a sua prática é mais prejudicial ao Meio Ambiente que a geração eólica e que não contribui para o desenvolvimento da indústria nacional. Uma quebra dos paradigmas de percepção e uma orientação pelos exemplos - benchmarks -, proporcionados por outras sociedades, deve ser possível também nas democracias.
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