Arquivo de 7 de Dezembro de 2009
TENTATIVA DE PROGNÓSTICO

Os componentes certos e visíveis da cena são a Conferência sobre Mudanças Climáticas em Copenhague, agora em dezembro, no plano internacional, e as eleições em outubro de 2010, no âmbito nacional. Os prognósticos obrigatórios para fins de planejamentos econômicos convergem para um crescimento da economia brasileira em 5%, o que significaria um aumento de ocupação e renda mesmo contando com as racionalizações. Não seria nada mal, visto que saltos “chineses” são difíceis em regimes democráticos.
Considero auspicioso o colóquio global em Copenhague porque se trata de um esforço pacífico de natureza técnica, isto é, não ideológico, embora vícios ideológicos ainda desvirtuem argumentos. Outro vício sistemático reside na falta da consideração do problema da superação da miséria no mesmo nível de consideração das questões ambientais – o aquecimento global e suas conseqüências. Sob este aspecto a China desponta como exceção e “benchmark”.
De fato a China se conduz como “benchmark” sob múltiplos aspectos: No aumento de eficiência energética, embora partindo de baixíssimo nível, na geração eólica e fotovoltaica, no aproveitamento da energia solar para aquecimento, e no reflorestamento.
Simultaneamente, a China acirra a competição global pela ocupação, resultando numa tendência a altos níveis de desemprego no ocidente. Parece que passa despercebido que esta tendência independe dos “compromissos” que serão discutidos na COP 15. Na realidade os esforços por redução de consumo de energia – nas indústrias e nos prédios – e a transformação das matrizes energéticas – na geração e nos transportes – geram espaço para ocupação no âmbito regional (União Européia) e nos âmbitos nacionais (Estados Unidos e Brasil).
Sobre este fundo material e mensurável – técnico – se processará uma “negociação sobre algo não negociável” por estar em jogo a condição de sobrevivência de todas as espécies, inclusive a humana. Não se trata de uma negociação comercial. O único posicionamento coerente com a Responsabilidade de cada um é “fazer o máximo possível”.
De uma forma confusa, semelhante a um movimento browniano, as opiniões públicas nacionais e globais começam a pressionar os governos nacionais e globais, e, portanto, os tais “negociadores”, que são partículas do movimento, mas não líderes esclarecidos, até agora.
Conclusão: Independente do resultado formalizado, a COP15 será um passo importante na direção certa. Cada país continuará agindo soberanamente, mas sob uma pressão emocional aumentada, o que estimulará as respectivas economias.
Quanto ao Brasil: Será curioso observar Serra e Dilma, além de Aécio e Ciro, no papel de “ecológicos novos”. Mas ficarei surpreso se aparecerem proposições novas como: Terminação imediata dos desmatamentos, grandes projetos de reflorestamento, indústrias verdes na costa da Região Norte, grandes parques eólicos no Nordeste, programa de redução de consumo de energia elétrica, desistência da construção da usina de Belo Monte, incentivo da cogeração com biomassa, veículos híbridos-flex. A meta possível a ser adotada seria “Brasil sumidouro de CO2 em 2020”. A miséria teria então sido eliminada, sem bolsas. A realização deste sonho só depende dos cidadãos deste país.
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