História de Andorinha
História de Andorinha
Ora, deu-se que ontem, fim de tarde, o céu em arrebatados matizes, vinha eu terminando minha caminhada diária, quando fui surpreendida por espetáculo de inefável beleza.
Como se sabe é verão.O verão tem a necessidade de muitíssimas andorinhas para ser tecido, em asas e luzes.
Ontem, ao fim do dia, as obreiras andorinhas, cansadas de dar realidade ao verão nosso de cada ano, esvoaçavam um tênue balé.Regidas por misterioso mestre , desenhavam finos, sutis arabescos no ar.Ouvindo a música das esferas, inaudível a ouvidos moucos, voluteavam, em harmonias diversas, surpreendentes.
Buscavam abrigo para os perigos da noite densa, que se insinuava entre nuvens ainda serenas.
Há na cidade onde moro, uma praça com graça, assaz diferente das praças sem graça.Esta é dotada de postes de fina luz, bancos bons de se sentar , canteiros de flores-ser e árvores de sombrear, abrigar.
Era entre os galhos destas vetustas senhoras, damas sisudas e virtuosas do reino das folhas dançantes, que as voláteis andorinhas buscavam abrigo.Grupos sonoros ,apressados, tomavam galhos como tardias jabuticabas semoventes.De repente, por brisa ou sopro de anjos, saiam em alada carreira.
Vencida pela mágica dança, sentei-me em banco periférico e fiquei ali, antes sentindo-me do que vendo as andorinhas.Meu olhar chamava-as vizinhas.Minha voz a nada se atrevia.
Espantou-me que pernas apressadas seguissem nas calçadas, que bocas ávidas falassem molhadas de cerveja num bar ao lado.
A praça era um espetáculo de saltimbancos a revelar mistérios.
As andorinhas, cúmplices, faziam nas ramas, a noite de verão, contavam segredos de outros verões e terras.
Fizeram-me lembrar outros encontros , em pedras de cachoeiras que sua dança tornava viva.
É gentil destino ser andorinha, fiandeira de luzes.
Uma semana feliz a todos,Aninha
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