O dia em que conheci Lucilla
Há algum tempo, fui convidada para participar de um Treinamento de Liderança entre líderes de produção na Rede Globo de TV.
A alegria foi enorme. Mal podia acreditar. Lembro-me do primeiro dia. Na portaria do PROJAC, o coração batendo forte, descompassado e feliz.
O sorriso tranqüilizador da amiga que me acompanhava; a perfeita atitude da recepcionista.
Enfim, a apresentação do pequeno grupo: três meninas de diversas idades. Gente submetida ao estresse mais cruel que vi e, entretanto, feliz com o trabalho de cada dia. Foi um privilégio trabalhar com elas. Uma invasão de alegria.
Bem, lá se foi o tal treinamento seguindo seu ritmo. Os resultados pra lá de bons.Acostumada a trabalhar com grupos enormes, me sentia no céu, com a possibilidade de ouvir e olhar tão de perto e com calma e tempo.
O tempo passou a correr, a correr e precisávamos inventar um encerramento a altura.
Propus então: - por que não fazemos um almoço, fora daqui, bem no capricho e convidamos os diretores e, assim, damos conta à casa? Não foi preciso propor duas vezes.
–Vamos ver umas locações. Lá fomos! Já na primeira fiquei encantada.
Lugar longe, nas grotas do Recreio dos Bandeirantes. Beleza não anunciada por trás de muro e portão. Beleza que se insinua branda, leve, aos bocados. Lugar de fascínio.
Ao sairmos do carro, duas fadas disfarçadas nos abriram braços e casa. Um chalé cercado de mata atlântica ; o mar magnífico, soberaníssimo, lá muito embaixo.
A cozinha ao ar livre com piscina aos seus pés. Na cozinha, tudo o que se podia precisar. As fadas sorriam, prazerosas. Uma delas, sorria mais e mais doce. Rosto redondo, cabelos de cachinhos vermelhos. No colo, pousado em alegrias, um coração vermelho. Chamada Lucilla. Nome perfeito pra quem traz a Luz em si.
Não quis ir aos outros lugares. Aquele estava ótimo.
Todos riram. Acabava de escolher o Casulo, reino encantado onde reina um mago que há décadas nos fascina: Gracindo Júnior. Mago, feiticeiro, que pela palavra, pelo gesto, pelo olhar nos mantém a todos cativos. Mais feiticeiro que ele só o pai. O Velho Gracindo cuja voz ressoa ainda em minha alma falando da infância junto ao rádio.
As fadas risonhas são da família: esposa e irmã de Gracindo. Deyse e Lucilla.
Hoje, quero falar de Lucilla de quem descobri que sou irmã por parte do coração. Temos, inclusive uma jóia igualzinha, pendurada por corrente. Descobrir o fato nos uniu em risos claros.
Enquanto eu testava a cozinha para o grande dia, Lucilla ficou por ali, esvoaçando, fazendo surgir toda sorte de ervas de gosto e cheiro, colheres, facas, apetrechos. Debruçada na bancada, sorria em luzes e mel. Conversávamos. Nos re-conhecíamos. Contei-lhe história do pai ouvida de lábios amigos, meus e dela. Oh! Ohs! Surpresas!
Ficamos unidas pelas bênçãos do céus, do mar, do vento, dos temperos. Trocamos receitas, palavras, carinho.
Nos dias de preparativos e do almoço enfim muita coisa aconteceu. Coisas que vou contar com os vagares merecidos.
Trabalho abençoado aquele que trouxe, de invasão, gente inesquecívelmente amiga. Mesmo longe. Delaíse; Lili; Pat que já foi embora produzir celestiais eventos; Bel, que ficou mãe; Marília, toda verdade, sorriso e coração. Abençoado trabalho que fez dizer poesia junto com Garcindo. Eta atrevimento! Que me fez vagar pelos jardins de Deyse. Tomar café com pão feito por Lucilla.
A página hoje é especial de Lucilla, fada a me ensinar de longe virtudes e paciência.
Há tempos queria escrever estes seres. Só agora me abençoa os dedos o amor e gratidão que sinto por eles.
Agora, eles virão vindo. Pouco a pouco. Passo a passo. Toque a toque. Porque tudo vem a seu tempo.
Beijos, Aninha.
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