A História da Samambaia
Amados,
há algum tempo, fui contratada para fazer um trabalho em uma madeireira do Paraná. Empresa familiar,com todas as manias e dificuldades costumeiras.
A tarefa era uma missão impossível. Eu devia motivar os funcionários, o povo do piso de fábrica a aumentar a produção. Não acredito nem um pouco nesta história de motivação como panacéia. Mas,três vezes por semana lá ia eu.Afinal,é preciso ganhar-se a vida.E eu tinha consciência de fazer o meu melhor.
Na primeira semana, fiz visita de reconhecer o terreno. Que território inóspito e hostil. Máquinas sucateadas, tudo velho. Certo dia,avisaram que uma determinada correia iria estourar.
E acabou estourando, porque o seu Carlinhos, um dos herdeiros e,então, responsável pelas compras, não havia comprado a substituta.Mesmo tendo sido avisado pelo chefe de equipe com uma semana de antecedência.Resultado: três dias de atraso na produção.
Entretanto, mesmo nestas condições adversas, a coisa caminhava.
Com as mesmas máquinas sucateadas , em dois meses, a produção subiu 40%.
Milagre da vontade humana. Aqueles homens e mulheres sabiam que sua sobrevivência, numa cidade de pobreza franciscana , estava ligada à recuperação da produção e das vendas.
Debruçaram-se sobre o Processo, mesmo nem sabendo a palavra. Arrancaram soluções de suas cabeças e de seus corações.Um deleite vê-los nos encontros comigo. Sempre traziam idéias. E as faziam sair pelo mundinho da fábrica, dando resultados.Salvaram,ao menos por um tempo, a empresa da morte certa e lenta.
Muito bem. Missão cumprida, era hora de peregrinar por outras paragens.
Fez-se, então, uma festa.Churrasco, como convém em festa do Sul. Música nativista. O cortejo completo. Placas. Prêmios. Figurino completo e elegante.
Já pelo meio da noite, a grande lição.Me chamaram ao centro do salão . Eu pensei: hora dos agradecimentos, abraços, aplausos e das rosas.
Muito intrigada, vi entrar pela porta um dos chefes de equipe, escondido atrás de uma enorme, magnífica, espantosa, inusitada samambaia.
Entre agradecimentos, abraços e lágrimas, lá veio a samambaia pro meu colo.
Apreciei.Mas intrigada perguntei ao Jair(como esquecer o nome ?) as razões do inusitado presente. Explicação dele: -ah! a gente quebrou o maior pau pra escolher seu presente. A maioria queria dar flor. Rosa era a favorita.Mas aí, resolvemos dar esta samambaia aí, porque rosa todo mundo dá. E além disso, iam morrer logo mesmo.
Mas se você cuidar desta samambaia como nós prometemos cuidar do que você trouxe pra nós, ela não vai morrer nunca.
Nesta altura, eu estava , espalhada pelo chão, desfeita em lágrimas de gratidão àqueles homens e mulheres de mãos gretadas , rosto marcado e coração generoso.
Minha missão ali foi cumprida por eles ,não por mim.
A samambaia está aqui, olhando pra mim, muito atenta. Ética e amorosa vigilante de meu ofício.
Beijos fraternos, Aninha
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2 respostas para “ A História da Samambaia ”
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Olá Ana,
Como é bom termos na vida uma Samambaia para recordar diariamente da alegria de viver. Triste daqueles que recebaram uma e a deixaram morrer. E olha que não requer muito trato. Legal, muito boa a sua experiência de vida.
Abraços
Dieter
Olá Ana,
Achei muito interessante sua experiência.
Obrigada por compartilhá-la conosco.
Abraços,
Renata Borges